Abro o livro, páginas amarelecidas,
Sussurram histórias de vidas vividas.
Algumas marcas de sol, outras de chuva,
Reflexos da jornada, terna e curva.
Folheio com carinho, como quem recorda,
A infância risonha, a pureza que transborda.
Capítulos de aprendizado, lições valiosas,
Cicatrizes que curaram, de formas gloriosas.
Em cada página, um momento, uma emoção,
Uma foto desbotada, uma canção no coração.
E ao comparar com a minha própria história,
Vejo o livro da vida, uma trajetória.
Há páginas de amor, que irradiam calor,
Capítulos de paciência, com seu doce dulçor.
Ternura em cada linha, um abraço apertado,
Paz em cada vírgula, um porto seguro, sagrado.
Felicidade em cada parágrafo, um sorriso radiante,
Tudo no seu lugar, de forma vibrante.
Um mosaico de sentimentos, cores e tons,
Uma obra de arte, com todos os seus dons.
Mas há páginas que doem, que trazem lembranças,
De sofrimento, angústias, tantas esperanças...
Decepções que machucam, tristezas profundas,
Que pesam na alma, como as ondas mais fundas.
Decido, então, fazer uma reciclagem,
Arrancar essas páginas, com coragem e imagem.
Jogá-las no esquecimento, ao vento, ao mar,
Deixar o passado pra trás, sem mais me magoar.
Que fiquem as lições, o aprendizado, a força,
E que o futuro me traga, com muita ternura,
Páginas em branco, prontas pra escrever,
Uma nova história, cheia de amor e prazer.
Que cada novo dia seja um capítulo novo,
Com novas experiências, com um novo povo.
E que a vida continue, como um livro sem fim,
Cheio de surpresas, com o melhor de mim.
Maria Cezar-POA-RS

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