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quinta-feira, 30 de abril de 2026

Homenagem a Florinda.

 Na porteira do tempo, o tabuleiro ainda diz o nome,

Pintado no cerne da madeira que o vento não consome.

Hoje sou o piá de outrora, de olhos marejados de rio,

Mateando o silêncio e a ausência neste campo tão vazio.

​Lembro da casa com vida, do riso solto no pátio,

Das cercas brancas de cal, do gado no seu relicário.

O poço guardava o frescor, 

o açude, o espelho do céu,

E a horta era o rastro sagrado sob o seu firme chapéu.

​Tudo parece baldio para quem olha de fora,

Mas em minhas retinas, Florinda, o ontem se faz agora.

O gado não pasta mais lá, nem as crianças brincam 

no chão,

Mas a fazenda inteira, ainda bate no meu coração.

​Hoje resta a cancela e o verde que a terra produz,

E as flores que a senhora plantou, banhadas de luz.

Pois enquanto houver uma pétala sob o sol do Rio Grande,

Sua vida será a semente que em minha alma se expande.

​Obrigado por ser a raiz, o perfume e o norte,

Neste campo de lembranças onde o amor é mais forte.

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