Na porteira do tempo, o tabuleiro ainda diz o nome,
Pintado no cerne da madeira que o vento não consome.
Hoje sou o piá de outrora, de olhos marejados de rio,
Mateando o silêncio e a ausência neste campo tão vazio.
Lembro da casa com vida, do riso solto no pátio,
Das cercas brancas de cal, do gado no seu relicário.
O poço guardava o frescor,
o açude, o espelho do céu,
E a horta era o rastro sagrado sob o seu firme chapéu.
Tudo parece baldio para quem olha de fora,
Mas em minhas retinas, Florinda, o ontem se faz agora.
O gado não pasta mais lá, nem as crianças brincam
no chão,
Mas a fazenda inteira, ainda bate no meu coração.
Hoje resta a cancela e o verde que a terra produz,
E as flores que a senhora plantou, banhadas de luz.
Pois enquanto houver uma pétala sob o sol do Rio Grande,
Sua vida será a semente que em minha alma se expande.
Obrigado por ser a raiz, o perfume e o norte,
Neste campo de lembranças onde o amor é mais forte.

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