A porteira, já caída, não segura mais o gado
O cupim devora o cerne do que um dia foi pilar
O jardim está entregue ao mato alto e fechado
Onde o brilho de uma rosa não consegue mais brotar.
Pela fresta da janela, entra o vento em lamento
Levantando a poeira de um chão que já foi lar
Parece que cada tábua guarda um breve sentimento
De uma gente que partiu sem ter tempo de explicar.
No fogão de lenha frio, a cinza virou saudade
Não se sente mais o cheiro do café a passar
A tapera é o retrato da nossa própria brevidade
Do que a mão do homem ergue e o tempo faz desabar.
O silêncio é o inquilino que agora ali reside
Pois o riso da criança faz tempo que emudeceu
Toda casa tem segredos que o abandono não divide
Mas a alma da tapera... essa nunca se esqueceu.

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