Num resgate de memórias
Que vem enfrentando os anos
Suportando os desenganos
De braços dados com a história
O teu passado de glórias
Nos enche de ufanismo
E o eterno lirismo
Do canto da tua gente
É um recado silente
À saga do gauchismo.
Gauchismo que esparrama
Por todo o pago sulino
É um formador de destinos
Que a todos filhos nos chama
Como a cor verde da grama
Que ornamenta as campinas
Nos dirige e ilumina
Com o jeito sorrateiro
De um duende missioneiro
Escondido nas ruínas.
Ruínas que trazem marcas
De genocídios e guerras
E na luta pela terra
Tem Sepé como monarca
O tempo contado em tarcas
Pelos séculos resplande
Por mais que o presente ande
No modernismo ilustrado
Os ensinos do passado
Formaram nosso Rio Grande
Rio Grande que é orgulhoso
Do povo que lhe formou
Que a mestiçagem gerou
Um tipo heroico e garboso
Que pelos fatos grandiosos
Que hoje a história relata
Como joias de ouro e prata
Contadas em verso e prosa
De batalhas valorosas
E atitudes sensatas
Sensatas que falo aqui
São marcas de identidade
Porque a pura verdade
Que na escola aprendi
É que o índio guarani
Sempre aguentou o repuxo
E no seu viver sem luxo
Respeitando a tradição
Tem grande participação
Na formação do gaúcho
Gaúcho que traz as glórias
Num telurismo tamanho
Que nas batalhas de antanho
vibrou com suas vitórias
Deixando nacos de história
Estendidos neste chão
E dentro de sua razão
Nunca deu passo prá trás
Nos entreveros no más
De guerra e revolução
De guerra e revolução
Que o índio esteve presente
E que lutou bravamente
Com seu sonho de nação
E a miscigenação
E entrevero de raças
Formou no pago a argamassa
Da fibra da nossa gente
Uma preciosa semente
Que o mundo todo hoje abraça
Já são quatrocentos anos
Que essa história se preserva
Narrativa que conserva
Apesar dos desenganos
Pois o índio americano
Tem maula sorte plantada
E hoje a turma letrada,
Passa e olha de soslaio
Pros guarani e seus balaios
Nos corredores de estradas
Maria Cezar POA-RS

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