A moça da Boate Azul
Primeira parte
Na noite escura ,uma silhueta aparece no fundo da rua. A penumbra dificulta a visão,mas é uma mulher. Passos firmes,cadenciados, denotam autonomia ; a imagem aproxima-se e logo vê-se uma linda mulher.
Bem vestida,roupas de marca, cabelos bem cuidados e um perfume daqueles que ninguém esquece. No pescoço um fino colar de pérolas que combinava com os brincos . Nos lábios baton vermelho rubro, nas mãos uma pequena carteira, ostentada com muita elegância.
Não parecia se intimidar com toda a escuridão,atravessou o percurso, chegou frente a uma velha porta de madeira meteu a chave na fechadura e subiu. Ainda se ouvia o som dos sapatos de salto de cor azul marinho com branco, que fazia nas escadas de madeira antiga. No segundo andar, após o som de uma porta fechando, viu-se uma lâmpada incandescente ligar . Em frente a vidraça da janela fechada, desfez-se do casaco, do colar e pedurou-os ,provavelmente em um cabide.
Afasta-se do campo de visão e surge de volta, minutos depois, já com um roupão e uma toalha envolvendo os cabelos, que ainda há pouco haviam deixado um doce perfume em toda a rua. No relógio da calçada 4:30 da manhã. Quem é ela? De onde veio? Tão linda e fina,morando com tanta simplicidade? No final da rua ,haviam bares e algumas boates noturnas, que promoviam chamariscos aos clientes, com belas mulheres, que se apresentavam com danças eróticas.
Na noite seguinte a mesma mulher fez o caminho inverso; desceu as escadas, abriu a porta e com seus saltos muito altos ,ganhou a rua, com um andar elegante e desenvolto, ela desceu a ruela escura sumindo aos olhos, logo depois do poste de luz fraca. Desceu até o final,passou por bares onde chamou a atenção dos homens com seu perfume sofisticado e seu porte muito elegante, que nem combinava com aquele lugar. Em seguida só restava uma porta..... a da Boate Azul......entrou.
Carine era uma jovem mulher, que tinha dois filhos para criar, e esses, viviam com sua mãe, longe daquele ambiente que ela precisava viver para dar a eles; estudo,conforto e sustento.
A moça da Boate Azul
Segunda parte
Carine, a dançarina misteriosa, tinha na boate a função de fazer o show de Poli Dance. Era uma mulher realmente de tirar o fôlego ainda vestida,imagina quando se apresentava com uma minúscula tanga vermelha perfeitamente ajustada ao corpo? Era sem dúvidas, uma visão que tirava o fôlego até das mulheres, tal era a beleza! Chegava numa penumbra fumacenta,tendo como plano de fundo,uma tênue luz amarelada, que lhe favorecia pra realçar as lindas madeixas louras,que ainda há pouco, ao entrar na boate, estavam presos num elegante coque. Não parecia ser a mesma mulher, porém era, e no Poli Dance ninguém se saía melhor! Quando entrava, ostentando apenas uma capa de renda preta brilhante, era como se as portas do céu se abrissem e um anjo aparecesse. E ao som da música erótica, abria a capa, deixando-a cair aos pés e jogavava-a pra longe com a pontinha do sapato de saltos vermelho altíssimo. A seguir, dava um show de profissionalismo e erotismo, onde só o que se ouvia era a música. Ao terminar, era uma verdadeira explosão, pois além da exuberante plástica, exibia um sorriso que jamais alguém poderia esquecer. Tratava a todos com respeito, até os mais afoitos ,que ao término do espetáculo,jogavam dinheiro e queriam toca-la . Sorrindo agradecia vestindo a capa ,fazia uma graciosa reverência e sumia atrás do cortinado de cetim azul. O espetáculo era algo magico, indescritível a quem nunca assistiu. Em menos de meia hora , pela porta dos fundos, na mesma que entrou, saia aquela linda mulher, vestida com a elegância, discrição e charme de uma dama e subia a viela escura,com seus passos firmes e cadenciados, próprios de uma mulher que sabe se comportar, em cima de sapato de saltos. Segue pelas vielas e becos,cheios de bares noturnos, com um elegante vestido verde água, sapatos preto e bege com uma bolsa combinada. A figura é tão marcante, que ninguém se atreve a largar um gracejo; apenas se deliciam com o perfume que ela deixa no ar. São incontáveis os pares de olhos que acompanham-na até a pesada porta de madeira, onde ela desaparece para ,no dia seguinte promover outro espetáculo de tamanha magnitude. A curiosidade no olhar de cada um é visível, parece estar escrito em suas testas " quem será o felizardo ,que atrás desta porta, terá nos braços, a "moça da Boate Azul ?"
A moça da Boate Azul
Terceira parte
Naquela noite ao perfazer o transcurso entre o velho apartamento onde mora e a Boate Azul ,Carine trazia no rosto um brilho a mais ; o que tornava-a mais linda ainda. Num vestido amarelo,quase creme, de corte perfeito para o seu corpo, ela desfilou pelos becos e ruelas numa desenvoltura impressionante, já que estava sobre os saltos de um sapato no modelo Scarpin, que combinava perfeitamente com a bolsa, que displicentemente repousava sob seu ombro direito. Como sempre, o espetáculo foi um enorme sucesso, e após ser muito aplaudida, agradeceu, e com uma reverencia saiu do palco,como sempre fazia,saindo logo após, pela porta dos fundos, e ganhando a rua . A travessia dela já era esperada por todos, por se tratar de um verdadeiro colírio aos olhos dos homens, e mulheres enquanto passava. Mas nada daquilo a incomodava , pois sentia-se admirada e isso lhe trazia estímulos. No apartamento via-se de longe uma fraca luz ligada ,o que caracterizava a presença de alguém a lhe esperar . Quem seria? Passos firmes,sem errar o ritmo,venceu os últimos metros de calçada e alcançou a porta. Antes de subir,uma olhada pra janela iluminada e um sorriso encantador foi visto em seus lábios. A porta foi fechada atrás de si, e na velha escadaria ouvíu-se o tloc ,tloc, tloc dos saltos que iam diminuindo conforme os degraus eram vencidos. Mais uma porta pra abrir porém, não foi preciso usar chaves, pois a mesma foi aberta por alguém que estava lá dentro. Não havia surpresa no olhar de Carine, mas um misto de encantamento diante de um belo representante da classe masculina, que naquele momento lhe admirava, com um olhar devassador. Era um homem ainda jovem,de um corpo atlético e músculos visivelmente malhados, pois vestia apenas uma calça jeans, o que lhe acentuava as formas perfeitas de um homem. Cabelos levemente encaracolados, que caíam de forma natural, dando um aspecto de menino àquele rosto marcante. Carine foi literalmente puxada pra dentro por um braço que lhe circundou a cintura ,puxando-a sobre aquele corpo viril ,que colou imediatamente no seu. Seus braços circularam o pescoço do homem de forma quase involuntária e um beijo daqueles de tirar o fôlego, foi inevitável. Com a ponta dos sapatos ,ela empurrou a porta atrás de si que bateu pesadamente, derrubando a chave que ficou ali esquecida. A sala não era muito grande, porém possuía uma decoração simples e clássica; um grande espelho na parede em frente a porta,o que dava sensação de amplitude, um confortável sofá ,adornado por algumas poltronas e num canto um abajur que refletia uma luz em tom carmin. Ainda envolvida pelos braços do seu receptor Carine viu sua imagem refletida no espelho o que fez sua imaginação tomar proporções fantásticas. O jovem não lhe deu tréguas e foi levando-a para o sofá de couro natural ,que parecia aguardar por aquele momento. Entre beijos e gemidos de prazer na sofreguidão do momento, ela foi jogada já quase despida,naquele lugar macio onde a partir dali seria o palco de uma louca noite de amor entre os dois. Ambos urravam de prazer e com respiração ofegante seus corpos se buscavam num verdadeiro ritual divino, no qual homem e mulher se transformam em um só. Ela foi despida e jogada no sofá que recebeu aquele corpo branco e perfeito. O rapaz olhava extasiado pra aquela mulher, que parecia uma deusa ,ali ao seu dispor ...parecia sonhar,mas sem perder tempo, beijou-a por inteiro, levando-a a loucura máxima que uma mulher pode chegar. Já despido, joga-se sobre ela e ali, com suas imagens refletidas no espelho da sala, ele a possui com a maestria de um amante fogoso e que sabe como exatamente tirar de uma mulher tudo aquilo que ela tem de melhor para oferecer. Em pouco tempo, corpos vencidos, corações desacelerando, as luzes da rua vindas do poste de luz, são as únicas testemunhas daqueles momentos de entrega e paixão. Janelas se fecham, e na rua se ouve apenas o miar de gatos no cio, que imploram a atenção da companheira.
A moça da boate Azul
Quarta parte
Carine, a dançarina da boate azul, após aquela noite de amor em seu apartamento, amanheceu só. Acordou com o Sol,batendo em seu corpo ainda nú, porém em seu quarto, pois Antunes deixou-a em sua cama antes de sair. Era sábado, dia de folga na boate e havia recebido um convite do amante para conhecer sua fazendola, numa localidade próxima dali.
Esparramou-se na cama, num gesto de liberdade e passando as mãos nos lábios ainda sentia a pressão dos beijos da noite anterior. Não havia decidido ainda, se iria até a casa de campo. Levantou-se, passou um café e com a xícara entre as duas mãos, sorveu devagar aquele líquido quente que a revigorou. Olhou a sua volta, e só viu as quatro paredes do velho apartamento, e a vista da rua silenciosa, através da janela da frente onde se encontrava. Tomou uma decisão:"-vou até a fazenda pra passar um fim de semana junto a natureza "! Ligou pra mãe falou com seus filhos e foi tomar um banho e saindo deste, partiu pra escolha da roupa adequada pra aquele momento. Uma calça jeans, uma camisa branca , botas estilo cowboy e pra completar o charmoso look, um lenço de seda jogado sobre os ombros, e os óculos de Sol , fizeram ela se olhar e aprovar a imagem refletida no espelho. Vestiu-se com muita calma, sentindo-se leve.
Apanhou uma bolsa estilo mochila, colocou alguns objetos pessoais, chamou um UBER e partiu. Chegando ao seu destino, conforme endereço recebido do namorado, ela pediu que o motorista deixasse-a , antes do portal de entrada, pois queria surpreende-lo. Dispensou o carro, e seguiu a pé o pequeno percurso, embaixo de um Sol muito quente. As sombras dos eucaliptos com aquele perfume silvestre, começaram a despertar-lhe efeitos afrodisíacos. Queria logo encontrar Antunes e foi abrindo as porteiras com muita habilidade, pois apesar da aparência frágil, conhecia bem as atividades de uma fazenda . Saiu de casa muito cedo, mas sentia saudades daquilo tudo. Ultrapassou a última cancela e sentiu o frio do arvoredo, que ocupava boa parte do terreno, que circundava a casa rústica e sem luxo que se via logo a frente. Foi avançando para ver onde estava o jovem e não demorou pra avista-lo, usava apenas uma bermuda ,deixando o tórax de fora. O corpo suado pois cortava lenha de machado que, ao avista-la colocou no chão e apoiou o cotovelo no cabo, tendo assim uma visão perfeita de Carine que ali chegava . Mais uma vez encantou-se com tamanha beleza e aquele sorriso indescritível . Aproximou-se e tomou-a nos braços; Carine sentiu aquele cheiro masculino de suor, misturado com uma espetacular dosagem de hormônios que caracterizavam aquele odor tão marcante. Ao sentir o corpo do amante todo suado,assim tão próximo, ela estremeceu e ele sentiu toda a reação do seu corpo que parecia vibrar. Fazia calor, muito calor, e suas peles queimavam, de calor e de paixão. Logo adiante o lago estava convidativo e ele tomou-a nos braços e entre prolongados beijos levou-a até a água e ali despiu-a. Carine sentia o gelado da água em seu corpo, misturado ao calor do momento. As mãos, o corpo,os braços de Antunes se movimentaram com a maestria dos bons amantes. O rapaz completava-a em suas mais insanas fantasias e nesse ritual louco eles explodiram seus desejos ,ali mesmo no lago! E na pequena Cachoeira que convidava-os a um banho, Carine e Antunes molharam-se, e ele admirou-a assim; de cabelos molhados,totalmente entregue aos prazeres do amor. Eram quase meio dia e estavam exaustos de tanto fazer amor. Vestiram-se e seguiram pro rancho pra comerem alguma coisa, e a tarde irem cavalgar pela fazenda. Chegando, Antunes propôs-lhe irem até as cocheiras para escolher as suas montarias,
para o passeio. E ao chegar, Carine já avistou um cavalo alazão, de uma beleza ímpar eo animal parece que sentiu aquele olhar de admiração, pois relinchou sacudindo sua pomposa crina! Antunes a tudo assista sem ação, pois o cavalo que havia escolhido pra ela, era um velho preencherão, já quase aposentado, manso como um carneirinho. Carine sorriu e piscou o olho para alazão, que garboso retribuiu o gesto,numa espécie de dança, onde se exibia faceiro.
Foram pra casa e a tarde retornaram para a cavalgada. Carine numa demonstração de habilidade, subiu no cavalo com a destreza de uma amazonas e seguiu, em uma elegante disparada que mais era um desafio ao companheiro que estava ali, encantado com aquele conjunto : mulher e cavalo pois ambos, eram a perfeição da beleza! Aceitando o desafio,formaram uma disparada pelos campos floridos, até que exaustos caíram na relva fresca e se amaram ,outra vez ,ali mesmo e sob a guarda dos cavalos que pastavam logo adiante ,como se dessem cobertura.
Maria Cezar -POA -RS

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