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Um ser eternamente em busca do lugar ideal, do momento certo e da oportunidade perfeita...

sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Missões 400 anos


Num resgate de memórias

Que vem enfrentando os anos

Suportando os desenganos

De braços dados com a história

O teu passado de glórias

Nos enche de ufanismo

E o eterno lirismo

Do canto da tua gente

É um recado silente

À saga do gauchismo.



Gauchismo que esparrama

Por todo o pago sulino

É um formador de destinos

Que a todos filhos nos chama

Como a cor verde da grama

Que ornamenta as campinas

Nos dirige e ilumina

Com o jeito sorrateiro

De um duende missioneiro

Escondido nas ruínas.


Ruínas que trazem marcas

De genocídios e guerras

E na luta pela terra

Tem Sepé como monarca

O tempo contado em tarcas

Pelos séculos resplande

Por mais que o presente ande

No modernismo ilustrado

Os ensinos do passado

Formaram nosso Rio Grande



Rio Grande que é orgulhoso

Do povo que lhe formou

Que a mestiçagem gerou

Um tipo heroico e garboso

Que pelos fatos grandiosos

Que hoje a história relata

Como joias de ouro e prata

Contadas em verso e prosa

De batalhas valorosas

E atitudes sensatas


Sensatas que falo aqui

São marcas de identidade

Porque a pura verdade

Que na escola aprendi

É que o índio guarani 

Sempre aguentou o repuxo

E no seu viver sem luxo

Respeitando a tradição

Tem grande participação

Na formação do gaúcho


Gaúcho que traz as glórias

Num telurismo tamanho

Que nas batalhas de antanho

vibrou com suas vitórias

Deixando nacos de história

Estendidos neste chão

E dentro de sua razão

Nunca deu passo prá trás

Nos entreveros no más

De guerra e revolução



De guerra e revolução 

Que o índio esteve presente

E que lutou bravamente

Com seu sonho de nação

E a miscigenação

E entrevero de raças

Formou no pago a argamassa

Da fibra da nossa gente

Uma preciosa semente

Que o mundo todo hoje abraça



Já são quatrocentos anos

Que essa história se preserva

Narrativa que conserva 

Apesar dos desenganos

Pois o índio americano

Tem maula sorte plantada

E hoje a turma letrada, 

Passa e olha de soslaio 

Pros guarani e seus balaios 

Nos corredores de estradas.


Maria Cezar-POA-RS 






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