Olhos negros têm mistérios,
quais as águas do profundo mar;
na retina guardam encantos
que os sentidos fazem despertar,
e escondem tantos segredos
que ninguém consegue decifrar.
São como a noite sem lua,
envolta em silêncio e breu,
como o negro e doce guabiju,
fruto da terra que floresceu;
têm a cor das penas do anu
e um encanto que o tempo teceu.
Dentro deles mora o verbo
mais sublime de conjugar:
em cada olhar, um presente,
em cada gesto, um amar;
e, na profundeza dos olhos,
há um infinito a esperar.
Têm a grandeza dos vales,
a sombra da imensidão,
e trazem, em sua negrura,
a mais terna sedução;
são mistérios que se revelam
no silêncio da emoção.
Olhos negros são tão únicos,
não se podem comparar;
têm a doçura das uvas pretas
de um pomar a perfumar,
e uma beleza tão profunda
que faz a alma se encantar.
Quem se demora em seu brilho
aprende a neles sonhar,
pois há estrelas escondidas
onde parece só reinar
a noite escura e serena
de um eterno e doce olhar.
E se o amor busca morada
para um dia repousar,
talvez escolha esses olhos
para sempre ali ficar;
pois nos mistérios dos olhos negros
vive a arte de amar.

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