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terça-feira, 4 de agosto de 2020

A moça da Boate Azul 1



Na noite escura ,uma silhueta aparece no fundo da rua. A penumbra dificulta a visão,mas é uma mulher. Passos firmes,cadenciados  denotam autonomia; a imagem aproxima-se e logo vê-se  uma linda mulher.
Bem vestida,roupas de marca,  cabelos bem cuidados e um perfume daqueles que ninguém esquece. No pescoço um fino colar de pérolas que combinava com os brincos . Nos lábios baton vermelho rubro, nas mãos uma pequena carteira ostentada com muita elegância.
Não parecia se intimidar com toda a escuridão,atravessou o percurso, chegou frente a uma velha porta de madeira meteu a chave na fechadura e subiu. Ainda se ouvia o som dos sapatos de salto de cor azul marinho com branco,  que pisava firme, nas escadas de madeira antiga. No segundo andar, após o som de uma porta fechando, viu-se uma lâmpada incandescente ligar . Em frente a vidraça da janela fechada, desfez-se do casaco, do colar e pedurou-os ,provavelmente em um cabide.
Afasta-se do campo de visão e surge de volta, minutos depois, já com um roupão e uma toalha envolvendo os cabelos, que ainda há pouco haviam deixado um doce perfume em toda a rua. No relógio da calçada 4:30 da manhã. Quem é ela? De onde veio? Tão linda e fina,morando com tanta simplicidade? No final da rua ,haviam bares e algumas boates noturnas, que promoviam chamariscos aos clientes, com belas mulheres, que se apresentavam em danças eróticas.
Na noite seguinte a mesma mulher fez o caminho inverso; desceu as escadas, abriu a porta e com seus saltos muito altos ,ganhou a rua, mas com um andar elegante e desenvolto, ela desceu a ruela escura sumindo aos olhos, logo depois do poste de luz fraca. Desceu até o final,passou por bares onde chamou a atenção dos homens com seu perfume sofisticado e seu porte muito elegante, que em nada combinava com aquele lugar. Em seguida só restava uma porta..... a da Boate Azul......entrou.
Carine era uma jovem mulher, que tinha dois filhos para criar e esses viviam com sua mãe, longe daquele ambiente que ela precisava viver para dar a eles, estudo,conforto e sustento.  

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