No silêncio profundo que faz nesta madrugada fria.
Um galo canta desajeitado ,ainda é amador
O cão late sem forças, talvez com frio.
Um veículo passa ,fazendo uma barulheira rudimentar.
Um gato romântico, ainda insiste no namoro.
A carrocinha do catador de papéis desce rua e ele cantarola.
Cantarola? Ás 5:20 de uma manhã gelada?
Um som de pisadas fortes se ouve, após um chorinho teimoso.
Uma mãe levando um filho pra creche, pois precisa ir trabalhar.
A mulher de saltos desce a avenida sem medo.
O som se propaga devido aos prédios, que parecem observar.
A mulher desaparece no final da rua, esmagando seus problemas a cada pisada.
O sono provavelmente esteja junto desse povo,mas não podem dormir.
A vida leva-os pra rua pra laborar. Catando latinhas?
Na padaria da esquina?
Na creche do final da rua?
Saíndo do bordel do outro bairro?
Não sei, a vida começa pra muitos muito cedo.
Pra outros,nem começa,estão reféns de seus destinos.
Ouço a moto do entregador de jornais, que mesmo com tanta tecnologia AINDA entrega folhas de papel.
Coloca em risco a própria vida, pra levar notícias com cheiro de tinta.
Os jornais são jogados por cima de muros,de grades, portões, envoltos em saco plástico.
Muitos são destroçados pela boca do cão da residência.
É a madrugada indo embora, dando espaço pra mais um dia que começa sem mudanças para muitos.
É vida que segue...ou nem segue...
Coisas da madrugada fria na Selva de Pedra de todos os gaúchos!

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