A menina nasceu na praia...e adorava fazer castelos. Casou-se com um rico fazendeiro,mas foi infeliz por 25 anos, até que ficou viúva. Formou-se professora,perdeu as esperanças de um dia casar novamente,aos quase 50, construía castelos na areia quando alguém irterpelou-a. Era um estranho de muito longe, mas estava naquela praia, descansando talvez . E quando as esperanças pareciam perdidas...transformou-se numa linda história de amor. E naquele dia, o estranho observava de longe aquela mulher, que apesar de não ser jovem, brincava de fazer castelos de areia,sentada sobre as pernas, de joelhos, perdida e seus pensamentos.
Aproximou-se, e a mulher ao perceber uma sombra a sua frente,levantou os olhos e ele pode ver o quão encantadora ela ainda era! Possuía um olhar triste,porém, um sorriso que iluminava o rosto;era uma espécie de luz que irradiava. Percebeu que na mão esquerda, ela ostentava duas alianças, símbolo da viuvez. Sentiu um estranho alivio,como se aquilo, tivesse importância pra ele. Cumprimentou-a, ela foi receptiva, porém sem muita liberdade. Prestou algumas informações sobre o castelo que fazia, a o seu interlocutor e seguiu em sua brincadeira. O homem,que era ainda bastante jovem,agradeceu despedindo-se,desejando um bom dia e uma boa finalização da escultura na areia, a qual chamou de “sua obra”! Quase sem querer , levantou os olhos ,e observou melhor o rapaz e percebeu uma bonita silhueta desenhada no horizonte, que desaparecia aos poucos.
Perdeu-se a olhar a imagem do homem,que sumia ao longo da praia, e não percebeu que ele havia olhado para trás ,e vendo que estava sendo observado,levantou um braço,em forma de aceno e ela se recobrou envergonhada pois havia sido flagrada em sua observação. Terminou sua obra e pensou ”- que pena! Amanhã o mar já terá levado,e o rapaz não terá visto o castelo pronto. Fez algumas fotos no celular e seguiu rumo as casas...queria descansar. Passados alguns dias , dos quais em todos ela foi na praia, mas ele não apareceu. Um dia,sentada nas pedras , a sentir o mar desaguar a seus pés,percebeu que em seus pensamentos estava a figura do jovem da praia. Sacudiu a cabeça pra dissipar os pensamentos e com as mãos e concha, recolheu água do mar jogando no rosto e cabelos. Não era jovem, mas mantinha cabelos longos, encaracolados que ornamentavam seu rosto bem feito. O corpo bem proporcionado, era ainda de uma mulher com muitos encantos. Recobrou os pensamentos e foi dar uma caminhada,usava um maiô azul piscina, e por cima uma saída de banho branca de cambraia muito transparente. Andou muito, e quando chegou na plataforma sentiu vontade de entrar no mar,sentia calor, e assim fez. Como andava só, apenas queria molhar-se até a cintura.
Foi entrando e levantou os braços para livrar o celular e as chaves da casa, deliciando-se com aquela água fria e muito agradável. Por alguns minutos andou pelas beiradas quando decidiu que era hora de sair. Sentia frio...foi saindo da água e sua saída de banho, muito fininha ,molhada, mostrava perfeitamente seu corpo. A o sair da água, percebeu que não estava só; o rapaz da “obra” estava bem ali a observá-la. Meio assustada, tentou soltar o tecido molhado de suas coxas, que ficaram bem evidenciadas. O jovem trazia em seus ombros, uma toalha sequinha.. era tudo o que ela precisava naquele momento,pensou!
O rapaz então aproximou-se e, inesperadamente abriu a toalha ,num gesto de acolhimento e com o olhar apenas disse:permita? Com isso, acolheu-a pelas costas,abraçando-a com aquela toalha felpuda e quentinha. Sentiu seus braços em volta de si e o quanto era bom sentir aqueles braços a lhe abraçar com tanta delicadeza. Sentiu a respiração dele, muito próxima de seus ouvidos, e surpreendentemente não se incomodou. Se acomodou na toalha, segurando com as próprias mãos, nisso o rapaz,respeitosamente,soltou-a. Foram segundos que valeram por horas ,pois ela não conseguia parar de sentir algo estranho ao lembrar da cena.
Sentia uma espécie de conforto, era algo mágico, diferente de tudo o que já havia sentido em sua vida. Perguntou-lhe então; como estava ali, com uma toalha seca na mão, exatamente no momento de sua saída do mar? E ele apontou, lá em cima,depois das pedras, uma pequena casa e falou,-“moro lá, e vi quando entrou no mar!” Decidi socorrer com uma toalha seca, é o mínimo que posso fazer pela nossa escultora de castelos. Foi quando ela comentou”- pena que não viu a “obra” pronta,pois o mar levou! E ele, olhando-a de um jeito que derrubou suas reservas, disse;” eu vi, depois que foi embora, eu vim fotografar”, antes que o mar levasse.
Tenho todas as suas esculturas fotografadas depois que apareceu aqui na praia. Observo-a fazer e depois, antes que o ar leve eu venho fotografar.Ela quase não acreditava no que ouvia pois pensava que estava só naquele lugar, e que seus Castelos de Areia ficavam no anonimato.
Diante disso, a pergunta foi inevitável;por quê? Que fazia ele ali? Um jovem, e interessado em esculturas na areia? Foi quando ele, olhando-a de um jeito muito especial,disse-“ meu interesse é por que faz a obra”! Ela desconversou, fez que não ouviu, devolveu-lhe o celular, e tratou de ir embora com uma desculpa. Ele percebeu o constrangimento e perguntou”- e você? O que faz por aqui sozinha?” E ela, apontando para uma casa,também no alto da encosta,falou:moro ali. E ele imediatamente disse ”-na casa da viúva? E num gesto quase instintivo ,apontou-lhe o indicador e com voz cautelosa perguntou...” por acaso tu não é a viúva??”Sim responde ela,como se aquilo fosse um pecado, e ele percebendo o embaraço dela, falou:- “Não, não, cala! Eu não sabia que a viúva era tão jovem”. Daí a minha surpresa, pela qual peço desculpas.
A mulher desculpou-o e pedindo licença foi subindo nas pedras e sumiu pelo caminho que a conduzia até em casa. Acompanhou-a com o olhar,mas percebeu que naquele momento algo iria mudar pra sempre em suas vidas. Por alguns dias, viram-se apenas de longe pois suas casas eram no meso alinhamento, sendo a dele, num plano um pouquinho acima o que proporcionava uma visão da sacada da sala, onde ela costumava ficar na rede para ler, naquelas tardes de primavera quente. Porém, numa manhã o Sol nasceu convidativo e logo cedo ela preparou-se para dar uma caminhada a beira mar. Vestiu um biquíni duas peças preto, e apenas um short , ficando na parte de cima seus seios, ainda muito bonitos,bastante evidentes naquele sutiã. Caminhava sentindo a brisa fresca que lhe batia no rosto,trazendo-lhe pensamentos ,os quais não queria ter.Pensava no jovem vizinho se parar. Que faz ali só? Como não o conhecia? Ocupava aquela casa,nos veraneios, há pelo menos uns vinte anos com seu recente falecido marido. Estava ali, agora exatamente para organizar as ideias,já que foram 25 anos de opressão,vivendo um casamento muito infeliz.
Anda devagar, sentindo a areia já quente , debaixo dos seus pés; nas mãos o celular e os chinelos. Na cabeça, um chapéu de palha com ampla aba,proporcionava sobra no seu rosto que naquela manhã estava especialmente bonito pois já se percebia um bronzeado leve devido à exposição ao Sol, nos últimos dias. Levantou os olhos, e viu o jovem vizinho de pé,em cima de uma pedra,virado para o mar. Usava apenas uma sunga de banho e sua forma perfeita estava desenhada no horizonte ,através do olhar da mulher. Parecia que editava pois tão distraído estava que não a viu chegar. Ela sentou-se numa pedra,bem próximo ,e ali ficou a olhar o nada junto com ele. Ao avistá-la fez o mesmo, sentando-se a seu lado em silêncio, buscou seus olhos e encontrou um olhar diferente, sentiu um arrepio quente na sua dorsal...ela também vasculhou seu rosto com um olhar. Ele possuía um olhar doze de compreensão,mas demonstrava muita timidez, naquele sorriso de menino: era triste. Olharam-se demoradamente e quase sem sentirem suas mãos se buscaram,num frenesi poético. Eram suas aos que naquele momento haviam assumido o controle. Cederam-se um ao outro,de forma infantil,sorriam vendo suas aos se tocarem; era pura magia.
O olhar do jovem ,despia a mulher..seus olhos, não saiam de sua boca. Sentia um desejo incontrolável de beijá-la, segurou aquela vontade e ficou com as mãos dela entre as suas,num enlevo, quase espiritual.Seus corpos, aos poucos, de forma quase automática ,fora se aproximando e um abraço foi inevitável,pois já tremiam de desejo u pelo outro. Viram-se,em segundos, abraçados de uma maneira única;era um abraço de saudade,...muita saudade...Como? Nunca haviam se visto? Mas ali, naquele momento, entenderam que eram almas que já se conheciam,provavelmente de vidas passadas ,pois o encontro dos dois foi algo muito prazeroso,interativo. Depois de um demorado abraço ,suas bocas se encontraram num beijo mais perfeito que um ser humano deseja. Fora minutos inesquecíveis onde suas bocas encaixavam direitinho,suas línguas brincavam numa exploração deliciosa. Mãos se tocavam, corpos quentes de paixão,enlouquecidos pelo desejo. Mil pensamentos na cabeça da mulher. Nada sabia dele, muito jovem,mas ali, entre seus braços, fazendo-a ser mulher como nunca foi durante os 25 anos de um fracassado casamento;como resistir àquilo tudo? Corpos, mãos,bocas ,tudo sintonizado na mesma frequência. Batimentos cardíacos a mil...ele ousou um pouco e ela cedeu. E ali, a beira mar,naquelas pedras,tendo por testemunha,apenas o Sol, ele a possuiu com a ternura e a habilidade,que só um homem perfeito sabe possuir uma mulher.Foram horas em que o mundo parou para os dois. Cansados, corpos vencidos pelo prazer,jogaram-se na areia, e de mãos dadas, dormiram como crianças,com um sorriso de prazer nos lábios...

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