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sábado, 15 de junho de 2024

Vida a cidade

Na mão a cuia do mate, na alma a solidão

Uma saudade que bate, rasgando o coração.

Quando chega a tardinha, e o Sol distante se vai

Pego na minha gaitinha, que ganhei do velho pai.

Abro o fole faço um verso, pra distrair essa tristeza

De viver assim disperso, porém com uma certeza

De que a felicidade, que eu vivo a procurar

Não se encontra na cidade, é melhor aqui eu ficar.

No catre improvisado, lá no canto do galpão

Distraio a pionada, tocando o meu violão.

Enquanto na chapa quente, do nosso fogão tropeiro

O cheiro alerta os viventes, pro charque do carreteiro .

A vida de campo é boa, e não quero me queixar

Mas se vive muito átoa, as vezes penso em largar.

Mas deixar esta liberdade, pra viver emparedado

É muita insanidade, vamos deixar combinado.

E viver lá na cidade, na minha opinião

É perder a liberdade, pra viver na opressão.

As modernas moradias, mais parecem um caixão

Chegam e me dar agonia, prefiro o meu galpão.

Meu mundo é campo aberto, meu teto é o céu de estrelas

Viverei aqui por certo, enquanto eu puder vê-las.


Maria Cezar POA-RS

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