"Aqui só estamos de visita, de passagem.Viemos observar, aprender, crescer,amar e voltar pra casa.

Minha foto
Um ser eternamente em busca do lugar ideal, do momento certo e da oportunidade perfeita...

sábado, 15 de junho de 2024

Visita ao psicólogo

 Uma visita ao psicólogo.


A doença do século é sem dúvidas o stress, e como eu sou normal e sofro dos malefícios do dia-a-dia, aqui estou, indo a um  psiquiatra. Psiquiatra? Mas será que um psicólogo não resolveria? Não. Sou radical e gosto de cortar o mal pela raíz; se estou com problemas que afetam minha mente, vamos logo ao ponto pra não deixar dúvidas. Mas quem me disse que stress é "problema mental"? Bem, doença de estômago é que não é, por isso, psiquiatra! Na verdade eu queria era um laudo ou qualquer coisa que me tirasse de circulação por uns dias, só uns diazinhos! E não sei por que raios alguém me disse que eu deveria ir sem maquiagem, meio escabelada, com a cara mais triste que eu pudesse fazer. Nem precisou pois é assim que ultimamente me sinto, um raio invertido. Deus me livre! Quando me olhei no espelho antes de sair, a única expressão que eu tive foi dizer-NOOOOSA! E saí sem olhar para as pessoas ,tinha vergonha da minha cara e dos cabelos então! Um absurdo. Consegui levantar todo, ainda meio molhado ( e depois ficam crespos) e prendi com alguma coisa que parecia um clips ou algo assim. Não preciso dizer que fiquei a cara da desmanzelada (relaxada), e as roupas, aí... nem dá pra falar.Vesti uma dessas roupitas de caminhar, isso! Aquela calça meia canela (que eu odeio), de helanca, ou malha? Malha ,né? Helanca era no meu tempo e nem sei se tinha H. Mas bem, nos membros superiores vesti uma camiseta, exatamente! Daquelas de propaganda política,com nome de candidato e tudo. Mas aqui nem vou dizer de quem era. Nos pés ....um chinelinho, é claro! Ia calçar um tênis? Capaz! Pobre e louca é assim...a cara da pobreza. Dei de mão na minha bolsa e pendurei no ombro mas graças a Deus me dei conta que havia pago os olhos da cara por ela (ainda estava pagando) e não poderia sair assim. Dispensei a dita e coloquei meus objetos numa sacolinha plástica de supermercado. Assim eu fui,caminhando depressa, passos miúdos (bem de louquinha) e a cara no chão, (mas de vergonha). Eram umas 6 quadras e que quadras bem compridas! Após uma eternidade cheguei na frente de um prédio enorme,com uma fachada fantástica e um elevador poderoso. Pensei...mas este médico atende pelo IPE (Instituto de Previdencia do Estado), não deve ser assim tão chic (preconceituosa até com o próprio plano de saúde). Entrei no elevador, acionei o sétimo andar, sala 702 pensei...e lá fui eu. O elevador subia e a minha pressão arterial baixava, disso eu tinha certeza pois um suador tomou conta de mim e eu sentia que ia desmaiar se aquilo não parasse pra eu descer. Finalmente parou e eu saí como uma bala,comigo subiu uma senhora muito arrumada e extremamente elegante, até acho que o meu mal estar foi por isso. O olhar dela sobre meu cadáver quando entrei no dito elevador já bastava para curar qualquer depressão. Porém, e ainda bem que existem os poréns, foram longos e penosos sete andares que eu tive que suportar aqueles olhos em cima de mim. Mas como disse; saltei na frente dela e tentei entrar na sala antes, só que o destino da linda senhora era o mesmo meu; a sala 702. Adivinhem quem entrou primeiro? Ela é claro, pois a secretária quando viu o elevador se abrir ,saltou fantásticamente da cadeira até a porta e gentilmente falou-boa tarde senhora Rosita, entre por favor, o médico já a espera! E eu? Esmagada no canto da porta sem chances de respirar, achatada como uma mosca contra a parede como se fosse invisível, aguardei a secretária baba ôvo passar. Lá se foram as duas e eu fui deslizando pra dentro da sala de espera como se eu fosse um cão abandonado pois NINGUÈM levantou os olhos quando entrei.Ou melhor, a secretária após encaminhar a elegante senhora , voltou toda sorrisos, mas apenas até encontrar a minha imagem...vasculhou minha silhueta dos pés à cabeça, mas nada falou. E ali eu fiquei, de pé, num canto, quase sem respirar .Arrisquei uma olhada geral e quis matar a pessoa que havia me dito para ir fantasiada de louca.Todos ali transpiravam nobreza... e agora? Que faço eu? Saio daqui e volto vestida como todo mundo, ou fico pra ver até onde vai isso? Apostei na segunda opção, e fiquei. Saiu a tal senhora, entrou a outra, outro entrou... saiu, entrou mais um ,e eu nada! De pé, encurralada na minha burrice, eu ali estava aguardando o resultado daquilo tudo. E veio logo...a sala esvaziou e eu senti umas pisadas fortes que se aproximaram até a porta da sala de espera; era o tal psiquiatra que não muito gentil berrou pra secretária, afinal! Aquela criatura que vinha limpar o consultório não apareceu? Já estou de saída, e agora ela deveria começar o trabalho. A secretária levantou toda vaidosa e disse- desculpa doutor ,mas ela veio sim,está aqui, esqueci de lhe avisar e neste momento estendeu o braço para o meu lado naquele gesto conhecido de apresentação. Eu não acreditava no que ouvia e tentei balbuciar alguma coisa na tentativa de dizer que eu seria a próxima paciente, mas desisti diante de tantas evidências de que seriam infrutíferas as minhas explicaões,sob pena de sair dali de camisa de forças. Consegui apenas dizer-não posso,hoje já não dá mais. E neste momento ,já quase entrando no elevador, e após entrar,acionei com todos os dedos para que descesse rápido.Ganhei a rua e em minutos estive em casa,nem percebi as seis quadras.Bati a porta do meu ap atrás de mim e ufa! A salvo.O stress? Terminou, fiquei curada sem pagar a consulta. Nunca mais reclamei de nada , nem de cansaço ou excesso de trabalho .Até agradeci a colega ,que pensando em me fazer passar por uma saia justa indo vestida daquele jeito, me fez ver coisas que eu jamais teria visto ou percebido se sentasse naquela sala de espera em igualdade de vestimentas com todos que estavam lá. Cada vez que lembro disso fico corada até os ossos,mas valeu!


Maria Cezar-POA-RS 




Nenhum comentário:

Postar um comentário