O peito era um deserto de ecos guardados,
Uma sala vazia, com as luzes em falta,
Onde o amor habitava os cantos fechados,
Em molduras de vidro, numa prateleira alta.
Eu te via de longe, como quem olha a lua,
Um brilho intocável, sem rastro ou caminho,
E a esperança, coitada, seguia nua,
Contentando-se apenas em não ser espinho.
Mas o destino, em seu nó mais certeiro,
Trouxe o teu passo pro lado de cá.
O que era distância virou o roteiro,
Do abraço que ensina o que é o "estará".
O coração, que era vácuo e cansaço,
Sentiu o calor de uma mão que sustenta.
A alegria brotou, preenchendo o espaço,
Como o sol que, após a garoa, esquenta.
Não és mais o sonho que o sono inventava,
És a voz, o perfume, o detalhe, o real.
A alma, que em cinzas se acostumava,
Descobriu que a vida é um jardim sem final.
Maria Cezar-POA-RS

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