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segunda-feira, 2 de março de 2026

Amor platônico




O peito era um deserto de ecos guardados,

Uma sala vazia, com as luzes em falta,

Onde o amor habitava os cantos fechados,

Em molduras de vidro, numa prateleira alta.


​Eu te via de longe, como quem olha a lua,

Um brilho intocável, sem rastro ou caminho,

E a esperança, coitada, seguia nua,

Contentando-se apenas em não ser espinho.


​Mas o destino, em seu nó mais certeiro,

Trouxe o teu passo pro lado de cá.

O que era distância virou o roteiro,

Do abraço que ensina o que é o "estará".


​O coração, que era vácuo e cansaço,

Sentiu o calor de uma mão que sustenta.

A alegria brotou, preenchendo o espaço,

Como o sol que, após a garoa, esquenta.


​Não és mais o sonho que o sono inventava,

És a voz, o perfume, o detalhe, o real.

A alma, que em cinzas se acostumava,

Descobriu que a vida é um jardim sem final.


Maria Cezar-POA-RS 


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