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sábado, 14 de março de 2026

Meu reino

 ​No reino suspenso entre o muro e a roseira,

Erguiam-se fortes de lama e de fé.

Meninos regiam a tropa inteira,

Com soldados de chumbo postos de pé.

​Havia trincheiras nos vãos do jardim,

Pontes de graveto sobre o rio de chão;

Batalhas travadas sem medo ou fim,

Pelo puro triunfo da imaginação.

Um grito de guerra, um plano traçado,

O herói de plástico, o joelho ralado.

​Enquanto o canhão de brinquedo rugia,

Na varanda ao lado, o tempo era mudo.

Bonecas de louça, em fina heresia,

Guardavam segredos de um laço de veludo.

Meninas teciam, em rendas e chás,

O sonho do baile, o brilho da luz;

O primeiro beijo que o vento traz,

E o amor que o peito, em prece, conduz.

​Eram mundos distintos sob o mesmo sol:

Um feito de pólvora, outro de seda;

Um vago desejo no azul do lençol,

Outro a conquista de uma alameda.


Maria Cezar-POA-RS 

Foto retirada da Internet 


​As Marcas do Ontem


​Essas marcas ficaram. 

Não no chão, mas na alma.

A coragem do forte virou prontidão;

O sonho do baile, uma busca de calma;

As batalhas de outrora, a própria vida em mão.

​Hoje o silêncio é digital e frio,

Onde o brilho da tela substituiu o olhar.

O romantismo parece um navio vazio,

Navegando em pixels, sem porto ou lugar.

As mãos já não sentem o barro ou a louça,

A pressa engoliu o que o tempo tecia;

E a voz da infância, agora mais rouca,

Se perde no eco da tecnologia.

​Mas quem viveu carrega o tesouro guardado,

O cheiro da terra e o som do vestido.

Pois nada apaga o que foi registrado

No cofre do peito, no tempo vivido.

São belas lembranças, eternas e puras,

Que a máquina alguma jamais poderá...

Pois quem teve um forte e viveu aventuras,

Sabe que o ontem pra sempre estará.



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