Era uma vez o mundo, tingido de giz e de sorte,
Onde o medo era o escuro,
e o herói era sempre o mais forte.
Mas os anos, em passos de chumbo, roubaram o véu,
E o azul que eu via no teto não era mais céu.
Ser adulto é ver a engrenagem, o óleo, a ferrugem,
É notar que as mãos que afagam, às vezes, também se sujam.
A decepção é um café amargo, servido logo cedo,
Quando descobrimos que o mundo não tem plano nem segredo.
As pessoas, que eram gigantes de bondade e de luz,
Agora carregam, em silêncio, a própria e pesada cruz.
Há pressa no olhar, há um cálculo em cada sorriso,
E o para sempre ruiu, sob o peso do que é preciso.
Dói ver o brilho sumir na rotina cinzenta,
Sentir que a alma, de tanto real, já não se sustenta.
E nasce o desejo, o grito, a vontade latente
De habitar um lugar onde a vida seja mais... gente.
Não o mundo perfeito, que a infância outrora inventou,
Mas um solo onde o afeto sobreviva ao que o tempo gastou.
Viver dias melhores não é fugir da verdade enfim,
Mas achar, entre as ruínas, um resto de flor e jardi
"Aqui só estamos de visita, de passagem.Viemos observar, aprender, crescer,amar e voltar pra casa.
- Maria Cezar a 4ª neta de Marvina
- Um ser eternamente em busca do lugar ideal, do momento certo e da oportunidade perfeita...
domingo, 15 de março de 2026
O Despertar das Sombras
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário