Onde o vento hoje assovia entre frestas e cansaço,
Ergue-se a velha tapera, um esqueleto que hoje, ocupa aquele espaço.
As paredes, despidas de cal, guardam o eco de um riso,
De um tempo em que aquele chão era o próprio paraíso.
Lá no fundo do quintal, o poço jaz esquecido,
Com a corda apodrecida e o balde já encardido.
Espelho d'água que outrora saciou a sede e a lida,
Hoje é apenas um túmulo de uma era interrompida.
Quanta frescura brotou daquela boca de pedra,
Enquanto o mato, lá fora, pacientemente tudo veda.
Ali houve um tempo de vida pulsante, muitos bichos no cercado,
Do galo anunciando o dia e do gado no banhado.
A horta era viçosa, de couve e manjericão,
E a terra, sempre generosa, entregava o pão na mão.
Em cada final de tarde, o céu se tingia de um fogo manso,
E a casa se iluminava no momento do descanso.
O cheiro do café passado,
no pano do coador;
O pão saindo do forno, era feito com amor.
Aquele que ali viveu, hoje olha e aperta o peito
Pois cada tábua caída foi um sonho muito bem feito.
Lembra do Sol ao amanhecer, tingindo o campo de esperança,
Quando o verde era mais verde aos olhos de uma criança.
A tapera não é ruína, é um livro que o tempo abriu,
É o rastro de quem amou, de quem lutou e partiu.
Ficou a saudade acesa, como brasa na cinza fria,
Do que um dia foi lar, calor e pura alegria.

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