O joelho ralado secou na memória,
A cicatriz agora é de outra natureza.
Aquele quintal, que era o mundo inteiro,
Coube na palma da mão, em sua singeleza.
Houve um dia em que o "faz de conta"
Silenciosamente, tornou-se o "fazer".
A magia trocou de cartola e de fonte:
Deixou de ser mágica para ser viver.
O peito, antes casa de passarinhos,
Vira oficina, laboratório e porto.
O medo do escuro agora é caminho,
E o silêncio do quarto já não é desconforto.
As cores ficaram mais sóbrias, é fato,
Mas os tons ganharam profundidade.
O psicológico — esse labirinto exato —
Aprende a negociar com a saudade.
Levamos no bolso o cheiro da chuva,
O gosto do doce que a avó preparava.
A juventude chega como uma luva,
Calçando o destino que a gente sonhava.
Ser adulto é ser um guardião atento
De uma criança que nunca se cala.
É transformar o antigo momento
Na luz que ilumina a nossa nova sala.

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