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sábado, 7 de março de 2026

O ciclo do sentir

 Amor é  mistério, aparece de repente, como uma primavera

O amor chega quente como o Sol, numa tarde de verão 

colorido e perfumado, como a estação  das flores

Mas vai embora assim como chegou, e torna-se distante 

e frio, como o inverno. 

Depois vem  um sabor de outono, e a esperança 

de uma nova estação 

Que possa trazer o doce das frutas maduras, 

Que adoçam a boca e acalenta corações. 

E o cheiro das flores de laranjeiras, que remetem à  

lembrança do néctar divino do último beijo. 

Às vezes quando acontece, entre as quatro estações, 

deixa no corpo a certeza das mais belas sensações .

Trazendo muita saudade daquilo  que foi vivido

Ficando um nó na garganta, de um adeus silencioso, 

que sufoca os sentidos.

​

​Tudo começa com o verdejante susto,

O broto que fura o asfalto do peito.

O amor chega com o frescor do que é justo,

Em cores pastéis e um riso perfeito.

É o tempo das promessas, do pólen no ar,

Onde o mundo insiste em nos convidar a voar.


​Mas o sol sobe e o sangue ferve,

O brilho é meridiano, cru e latente.

Não há sombra que nos reserve,

É o amor-incêndio, febril e quente.

Corpos que suam a mesma vontade,

Numa estação que desconhece a saudade.

​

​O cansaço chega com o tom dourado,

A luz amansa e o vento sopra a poeira.

O chão fica, aos poucos, tapetado,

Com o perfume de flor de laranjeira.

As folhas caem, mas o cheiro ainda seduz,

É o adeus perfumado que a alma produz.

​

​Por fim, o gelo estica seu manto,

O horizonte é cinza, opaco e mudo.

O que era brasa perdeu o encanto,

O frio de fora invade o que era tudo.

O amor agora é distante e austero,

Um deserto branco, um inverno severo.

​O amor, tal qual o ano, não é estático; 

ele é a soma de todos os seus climas.

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