Amor é mistério, aparece de repente, como uma primavera
O amor chega quente como o Sol, numa tarde de verão
colorido e perfumado, como a estação das flores
Mas vai embora assim como chegou, e torna-se distante
e frio, como o inverno.
Depois vem um sabor de outono, e a esperança
de uma nova estação
Que possa trazer o doce das frutas maduras,
Que adoçam a boca e acalenta corações.
E o cheiro das flores de laranjeiras, que remetem à
lembrança do néctar divino do último beijo.
Às vezes quando acontece, entre as quatro estações,
deixa no corpo a certeza das mais belas sensações .
Trazendo muita saudade daquilo que foi vivido
Ficando um nó na garganta, de um adeus silencioso,
que sufoca os sentidos.
Tudo começa com o verdejante susto,
O broto que fura o asfalto do peito.
O amor chega com o frescor do que é justo,
Em cores pastéis e um riso perfeito.
É o tempo das promessas, do pólen no ar,
Onde o mundo insiste em nos convidar a voar.
Mas o sol sobe e o sangue ferve,
O brilho é meridiano, cru e latente.
Não há sombra que nos reserve,
É o amor-incêndio, febril e quente.
Corpos que suam a mesma vontade,
Numa estação que desconhece a saudade.
O cansaço chega com o tom dourado,
A luz amansa e o vento sopra a poeira.
O chão fica, aos poucos, tapetado,
Com o perfume de flor de laranjeira.
As folhas caem, mas o cheiro ainda seduz,
É o adeus perfumado que a alma produz.
Por fim, o gelo estica seu manto,
O horizonte é cinza, opaco e mudo.
O que era brasa perdeu o encanto,
O frio de fora invade o que era tudo.
O amor agora é distante e austero,
Um deserto branco, um inverno severo.
O amor, tal qual o ano, não é estático;
ele é a soma de todos os seus climas.

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