Vou cantar com a voz do peito
A história de um lugar
De um povo que fez o destino
Pelas mãos de quem sabe amar
As raízes de sua terra
E o direito de lutar.
A herança não é de ouro
Nem joia de alto valor
É o sangue que rega o chão
No calor do seu suor
De quem enfrentou o medo
Sem nunca baixar o rigor.
A liberdade foi meta
Buscada na escuridão
Pois gente que nasce livre
Não aceita a servidão
Transforma a própria revolta
Em semente no sertão.
Pelejaram contra o jugo
Com a força da união
Eram vozes como trovão
E passos fortes no chão
Só é dono da sua alma
Quem sustenta o próprio pão!
O amor por nossa raiz
É o que nos faz caminhar
É o nó que ninguém desata
É o brilho do nosso olhar
Pois quem conhece o passado
Sabe onde quer chegar.
Honramos cada guerreiro
Que a vida entregou ao chão
Sua luta virou bandeira
Sua história, uma lição
Pois liberdade é o fruto
Da nossa afirmação.
O solo guarda o segredo
Da planta que não morreu
O tronco que enfrentou o medo
E o tempo não esqueceu
Vieram ventos de guerra
Tentando a voz calar
Mas quem pertence a essa terra
Ninguém pode desterrar!
O aço tentou o açoite
A sombra buscou o fim
Mas a estrela riscou a noite
E o povo disse: "Sim!"
Lutamos por cada palmo
De sonho e de dignidade
O mar que era calmo
Virou onda de liberdade!
É o sangue na veia, é a seiva no chão!
Nossa raiz , é nossa revolução!
Povo que luta, que honra o lugar
A liberdade é o nosso altar!
Não é herança de papel
É herança de coragem
O céu é o meu chapéu
A luta é minha paisagem!
Pisa forte nesse chão...
Pisa forte, meu irmão...
Nossa história é o que nos faz!
Liberdade, nunca mais fica pra trás!
A terra guarda o grito que o tempo não calou,
Nas dobras do horizonte, o rastro de quem constrói,
Pois onde o pé pisa, o antepassado plantou
A chama da coragem que o medo não destrói.
Nossas raízes não são, apenas madeira e chão,
São nervos expostos de quem não se curvou,
É o amor que floresce em plena negação,
E o direito sagrado que a foice não cortou.
Lutaram com o peito, com o verso e com a mão,
Erguendo barricadas de sonho e de verdade,
Pois sabiam que a vida é uma vã negação.
Se não houver no horizonte o Sol da liberdade.
Não é só saudade, o que bate no peito agora
É o eco dos tambores, o rufar da rebeldia
É saber que a aurora que brilha lá fora
Foi forjada no aço de quem não se rendia.
Honramos o nome, o sotaque e a cor,
A herança bendita que o vento não leva,
Pois quem ama a raiz, transforma a sua dor
Na luz mais bonita que vence qualquer treva.
Um povo que esquece de onde veio, perde o mapa para saber onde quer chegar.

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