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sábado, 14 de março de 2026

Milonga farrapa

 


O meu chão tem o cheiro do pasto

E a marca do casco gravada na argila.

Sou herdeiro de um tempo de guerra,

Mas hoje a minha alma é que brilha.

Visto a pilcha com o peito estufado,

Pois o pano que uso é a minha bandeira;

Sou gaúcho da gema, moldado na lida,

Respeitando a origem da raça missioneira.

​

Meu cavalo é extensão do meu corpo,

Entende o meu freio, aceita o meu comando.

Nas coxilhas, somos um vulto só,

Enquanto o destino vou eu mesmo traçando.

E o meu cusco, fiel sentinela,

Dorme ao relento se for pra cuidar

Do dono que o trata com o mesmo carinho

Que o velho meu pai me ensinou a zelar.

​

Na mesa, o lugar do mais velho é sagrado,

A família é o esteio que o mundo não dobra.

Honro o nome que herdei do meu sangue,

Pois caráter é coisa que o gaúcho tem sobra.

Do lenço atado com nó de amizade,

À bombacha que o vento faz um fole no chão,

Sigo sendo o guardião desse Rio Grande,

Com a bota suja de terra e limpa de coração.


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