O meu chão tem o cheiro do pasto
E a marca do casco gravada na argila.
Sou herdeiro de um tempo de guerra,
Mas hoje a minha alma é que brilha.
Visto a pilcha com o peito estufado,
Pois o pano que uso é a minha bandeira;
Sou gaúcho da gema, moldado na lida,
Respeitando a origem da raça missioneira.
Meu cavalo é extensão do meu corpo,
Entende o meu freio, aceita o meu comando.
Nas coxilhas, somos um vulto só,
Enquanto o destino vou eu mesmo traçando.
E o meu cusco, fiel sentinela,
Dorme ao relento se for pra cuidar
Do dono que o trata com o mesmo carinho
Que o velho meu pai me ensinou a zelar.
Na mesa, o lugar do mais velho é sagrado,
A família é o esteio que o mundo não dobra.
Honro o nome que herdei do meu sangue,
Pois caráter é coisa que o gaúcho tem sobra.
Do lenço atado com nó de amizade,
À bombacha que o vento faz um fole no chão,
Sigo sendo o guardião desse Rio Grande,
Com a bota suja de terra e limpa de coração.

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