Entre quatro paredes,
o eco é de medo,
onde o lar deveria ser porto e abrigo.
O golpe no corpo guarda um segredo,
E o carrasco, por vezes, dorme ao lado, como amigo.
A mão que afaga é a mesma que fere,
Em um ciclo vicioso que a alma consome;
A história se cala, a dor se interfere,
Enquanto o respeito, se apaga no nome.
Direitos escritos em tintas de gelo,
Promessas de amparo que o vento desfaz.
A lei se apresenta, mas falta o zelo,
E a vítima espera a justiça e a paz.
São medidas de papel, muros de vento,
Onde a proteção, é um rito atrasado;
Enquanto a estrutura ignora o lamento,
O agressor caminha, impune liberado.
Não basta o artigo, a norma ou o rito,
Se o acolhimento é frio e descrente.
É preciso ouvir, o que corre no grito,
E ver a mulher, como um ser existente.
Menos "mínimo" e mais dignidade,
Menos burocracia, e mais proteção
Pois a vida não espera, a boa vontade
De quem legisla, sem ter compaixão.
Erguemos a voz, pelo fim da mordaça,
Pela mão estendida, que não vai julgar.
Que a força da lei, não seja fumaça,
Mas chão de concreto, para se caminhar.
Pelo direito de ser, de ir e de vir,
Sem que o gênero dite o destino e a dor
Para que a mulher possa enfim existir,
Sob o manto do zelo, e o escudo do amor.

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