No reino suspenso entre o muro e a roseira,
Erguiam-se fortes, de lama e de fé.
Meninos regiam, a tropa inteira,
Com soldados de chumbo, postos de pé.
Havia trincheiras, nos vãos do jardim,
Pontes de graveto,sobre o rio de chão;
Batalhas travadas, sem medo ou fim,
Pelo puro triunfo, da imaginação.
Um grito de guerra, um plano traçado,
O herói de plástico, o joelho ralado.
Enquanto o canhão,de brinquedo rugia,
Na varanda ao lado, o tempo era mudo.
Bonecas de louça, em fina heresia,
Guardavam segredos,de um laço de veludo.
Meninas teciam, em rendas e chás,
O sonho do baile, o brilho da luz
O primeiro beijo que o vento traz,
E o amor que o peito, em prece, conduz.
Eram mundos distintos, sob o mesmo sol
Um feito de pólvora, outro de seda;
Um vago desejo, no azul do lençol,
Outro a conquista de uma alameda.
Maria Cezar-POA-RS

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