Caminhei por desertos de afetos vazios,
Com a alma marcada por perdas e danos,
Contando os destroços de tantos desenganos,
Sob o peso de invernos e dias sombrios.
Achei que o amor fosse lenda ou cansaço,
Algo guardado em gavetas de outrora,
Um nó que aperta e que nunca melhora,
Um resto de sombra buscando um abraço.
Mas no meio do abismo, uma mão se estendeu.
Não era o amor, era algo mais raro:
A amizade fiel, o conselho mais claro,
O escudo sagrado que o tempo me deu.
Você, minha amiga, foi o chão que restou,
O "levanta" constante quando o joelho falhou,
Não me deixou cair no silêncio do nada,
E guardou meu cansaço em cada jornada.
Então, o impossível cruzou meu caminho.
Surgiu como aurora em noite fechada,
Um amor que eu julgava ser conta de fada,
Tão doce e tão alto, longe do meu ninho.
Olhei para as cicatrizes e tive receio,
Como pode o sol brilhar tanto assim,
Depois de um inverno que não tinha fim,
Trazer esse brilho no meio do seio?
Sinto uma gratidão que as palavras não medem:
Pela amiga que foi âncora e norte,
Pela sorte que veio em forma de par,
Pelo coração que aprendeu a pulsar,
Vencendo o destino que só me deu corte.
Hoje eu entendo, entre o pranto e o riso:
A amiga me manteve em pé na tempestade,
Para que eu estivesse inteiro, de verdade,
Ao encontrar esse amor que é o meu paraíso.

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