O tempo correu depressa, levando o calendário,
Ficando guardado no peito o que era extraordinário.
Lembro ainda a mesa posta, e do riso sem medida,
De uma infância alegre, intensamente vivida.
O cheiro do café coado, despertava para o dia
E a cozinha era o reino, de toda a alegria.
Tinha bolo de fubá, bolacha e pão caseiro,
Um banquete de afeto, o nosso mundo inteiro.
Minha mãe, com mãos de fada e o avental manchado,
Transformava o mais simples, no doce mais desejado.
As guloseimas que hoje, são meu refúgio sagrado.
Quanta saudade me dá daqueles finais de tarde,
Onde o coração era livre, porém sem nenhum alarde.
A família reunida, o tempo parecia parar,
Entre as histórias contadas e o prazer de escutar.
Hoje olho para trás, com os olhos marejados,
Pelas fatias de vida e os momentos guardados.
Sei que a infância passou, mas em mim ainda reluz,
Pois recordar o passado
é a estrada que me conduz.

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