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segunda-feira, 9 de março de 2026

Escritor/poeta


O escritor é o herdeiro,

de algumas cenas sofridas

O eco do mundo, sem ser o dono verdadeiro.

​Pois nem sempre o verso nasce da própria ferida.


Muitas vezes a dor é um sussurro que se ouviu.

A mente do poeta é uma porta sempre aberta,

Pela qual o drama alheio, mansamente, se fundiu.

E onde a mente do escritor 

está sempre em alerta.


Pois há poesia escondida na pressa e no cansaço.

Para quem escreve, não existe o silêncio vazio,

Um olhar perdido encontra, no texto, um abraço.

Um desabafo no banco da praça vira um rio.


​O poeta é o intérprete de línguas mudas,

Aquele que organiza o caos que o outro sente.

Ele busca no léxico as mãos que trazem ajudas,

E transforma o nó da garganta, em um verso valente.


​Escrever é dar destino ao que estava perdido,

É encontrar a saída em um labirinto de papel.

É  acalentar um coração  sofrido

Transformar o impossível, em sonhos de rapunzel. 


​Ao fim do dia, a caneta repousa exausta e serena,

Por ter dado nome ao que o outro não sabia dizer.

Pois a maior glória de quem vive essa cena 

É ver o sentimento alheio na rima, enfim florescer.



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