O escritor é o herdeiro,
de algumas cenas sofridas
O eco do mundo, sem ser o dono verdadeiro.
Pois nem sempre o verso nasce da própria ferida.
Muitas vezes a dor é um sussurro que se ouviu.
A mente do poeta é uma porta sempre aberta,
Pela qual o drama alheio, mansamente, se fundiu.
E onde a mente do escritor
está sempre em alerta.
Pois há poesia escondida na pressa e no cansaço.
Para quem escreve, não existe o silêncio vazio,
Um olhar perdido encontra, no texto, um abraço.
Um desabafo no banco da praça vira um rio.
O poeta é o intérprete de línguas mudas,
Aquele que organiza o caos que o outro sente.
Ele busca no léxico as mãos que trazem ajudas,
E transforma o nó da garganta, em um verso valente.
Escrever é dar destino ao que estava perdido,
É encontrar a saída em um labirinto de papel.
É acalentar um coração sofrido
Transformar o impossível, em sonhos de rapunzel.
Ao fim do dia, a caneta repousa exausta e serena,
Por ter dado nome ao que o outro não sabia dizer.
Pois a maior glória de quem vive essa cena
É ver o sentimento alheio na rima, enfim florescer.

Nenhum comentário:
Postar um comentário