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segunda-feira, 2 de março de 2026

Chão perdido

(sobre aqueles que deixam o campo pela cidade)

Deixou-se o verde do pasto,

Onde o sol vinha beijar,

Pelo asfalto cinza e gasto

Que não deixa descansar.


​A mesa que era fartura,

Do milho e do leite fresco,

Virou fome e amargura

Nesse cubículo grotesco.


​Vieram buscar o brilho

Das luzes da capital,

Mas cada passo é um trilho

Para o abismo do mal.


​O pai segura a saudade 

A mãe soluça no canto,

Vendo o filho na cidade

Com o vício e com o espanto.


​Promessas de ouro e de glória,

Ilusões de falso mel,

Mancharam a limpa história

De quem era o céu seu fiel.


​A mão que outrora plantava

A semente no terrão,

Hoje treme e se escrava

Na poeira da solidão.


​Chora a alma do caboclo,

Saudade do seu sertão,

Pois na cidade é só louco

Sem paz e sem o seu pão.


Maria Cezar-POA-RS 

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