(sobre aqueles que deixam o campo pela cidade)
Deixou-se o verde do pasto,
Onde o sol vinha beijar,
Pelo asfalto cinza e gasto
Que não deixa descansar.
A mesa que era fartura,
Do milho e do leite fresco,
Virou fome e amargura
Nesse cubículo grotesco.
Vieram buscar o brilho
Das luzes da capital,
Mas cada passo é um trilho
Para o abismo do mal.
O pai segura a saudade
A mãe soluça no canto,
Vendo o filho na cidade
Com o vício e com o espanto.
Promessas de ouro e de glória,
Ilusões de falso mel,
Mancharam a limpa história
De quem era o céu seu fiel.
A mão que outrora plantava
A semente no terrão,
Hoje treme e se escrava
Na poeira da solidão.
Chora a alma do caboclo,
Saudade do seu sertão,
Pois na cidade é só louco
Sem paz e sem o seu pão.
Maria Cezar-POA-RS

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