O asfalto ainda guarda o
desenho dos nossos passos,
Daquela pressa de quem
não tinha onde chegar.
Éramos feitos de risos
frouxos e abraços,
E do medo sutil de o mundo,
enfim, nos separar.
O primeiro amor tinha
cheiro de chuva e de espera,
Um bilhete dobrado, um olhar
que queimava o chão.
Acreditávamos que a vida
era apenas aquela primavera,
E que o "para sempre",
cabia na palma da mão.
Depois, os caminhos viraram encruzilhadas,
E a amizade sincera,
aquela de dividir o pão,
Virou eco de vozes em
madrugadas isoladas,
E fotos antigas guardadas
na memória do coração
Cada amigo levou um
pedaço do que fomos:
Um levou a piada que só nós entendíamos;
Outro, os planos dos pomares
e dos gomos;
Todos levaram a coragem
que juntos sentíamos.
Maria Cezar-POA-RS

Nenhum comentário:
Postar um comentário