Nasci onde o vento minuano sopra a história,
Neste chão de terra firme, banhado em glória.
O Rio Grande é meu berço, meu rumo e meu norte,
Onde o amor pelo pago tem sentido muito forte.
Meu rastro se mistura ao pó deste solo,
Que acolhe o gaúcho em seu eterno colo.
Honro o sangue farrapo, a herança e o nome,
Numa terra que a bravura nunca consome.
No lombo do cavalo, meu místico parceiro,
Cruzo coxilhas e campos, sou livre e inteiro.
E ao pé do fogo de chão, onde a prosa se espalha,
Meu cachorro vigia, sem nunca haver uma falha.
Um dá o movimento, o outro a lealdade,
Amigos de lida, na mais pura verdade.
A família é o esteio, a viga da morada,
Onde o respeito aos mais velhos, dita a jornada.
A origem é sagrada, contada em verso e canção,
Passando de pai para filho o valor da união.
Visto a bombacha, o lenço e o chapéu de aba larga,
Com o orgulho de quem não teme nenhuma carga.
A bota e a espora tilintam no chão do galpão,
Pois a indumentária é a farda da minha nação.
Sou gaúcho por sina, por gosto e por brio,
O dono da pampa, o guardião deste rio.

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