O tempo correu depressa,
levando o calendário,
Ficando guardado no peito
o que era extraordinário.
Lembro ainda a mesa posta,
e do riso sem medida,
De uma infância alegre,
intensamente vivida.
O cheiro do café coado,
despertava para o dia
E a cozinha era o reino,
de toda a alegria.
Tinha bolo de fubá,
bolacha e pão caseiro,
Um banquete de afeto,
o nosso mundo inteiro.
Minha mãe, com mãos de fada
e o avental manchado,
Transformava o mais simples,
no doce mais desejado.
Era o cheiro da canela,
e o ponto do melado
As guloseimas que hoje,
são meu refúgio sagrado.
Quanta saudade me dá
daqueles finais de tarde,
Onde o coração era livre,
porém sem nenhum alarde.
A família reunida, o tempo
parecia parar,
Entre as histórias contadas
e o prazer de escutar.
Hoje olho para trás,
com os olhos marejados,
Pelas fatias de vida
e os momentos guardados.
Sei que a infância passou,
mas em mim ainda reluz,
Pois recordar o passado
é a estrada que me conduz.
Maria Cezar-POA-RS

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