Não me busquem apenas no brilho das festas,
Nem só no rodado de uma saia de chita.
Eu sou a que sobra quando a paz se retira,
E a que se agiganta quando a sorte se encripta!
Meu passo é firme, pois pisa em história,
Minha voz tem o eco de quem não se cala;
Se o mundo é um rodeio de tempos difíceis,
Eu sou a gaúcha que a doma não abala.
Trouxe comigo o barro das estradas,
O sal das lágrimas que o vento secou.
Aprendi com as velhas, na beira do fogo,
Que a mulher é o esteio que o tempo forjou.
Enquanto a lança escrevia o destino,
Nossas mãos mantinham a chama acesa;
Não sou moldura de quadro antigo...
Sou o próprio quadro, a força e a beleza!
Tenho a doçura do mel da florada,
Mas a grossura do couro curtido.
Meu orgulho não cabe em galpão de estância,
Pois nasce do ventre, por Deus escolhido.
Sou Anita no grito, sou terra no tato,
Sou o verso que sangra e que traz a esperança.
Se o Rio Grande é o corpo deste meu chão,
A mulher é a alma que nunca se cansa!
Pode o inverno soprar seu minuano,
Pode o destino tentar me dobrar
Mas sou raíz de um cerne de ferro,
Que o tempo nenhum consegue quebrar.
Ergo meu brinde de erva e de garra,
Com a fibra de quem conhece o seu valor:
Sou mulher gaúcha! Sou dona de mim!
Pela graça da vida e por puro amor!

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