Sinto o cheiro do café
e a voz que me chamava,
A mesa farta de afeto,
que a casa transbordava.
Saudade dos meus velhos, do abraço que era porto e cais,
Dos irmãos no barulho, de risos que não voltam mais.
Aquele lugar, aquela rua, o sotaque de outrora...
Tudo guardado no peito, no lado de dentro da hora.
A vida trouxe as mudanças, o vento soprou com força,
Levou a criança de mãos dadas, trouxe a maturidade moça.
O horizonte cresceu, o asfalto cobriu a estrada,
Mas a essência da gente nunca será apagada.
Hoje olho no espelho e vejo os traços da jornada,
Mas no fundo dos olhos, a menina ainda está guardada.
Pois quem teve um quintal de sonhos, e águas de luz
Carrega consigo a paz que o tempo não reduz.

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