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domingo, 8 de março de 2026

Sou gaúcha de saia e de fibra


Não me busquem apenas no brilho das festas,

Nem só no rodado de uma saia de chita.

Eu sou a que sobra quando a paz se retira,

E a que se agiganta quando a sorte se encrita!

Meu passo é firme, pois pisa em história,

Minha voz tem o eco de quem não se cala;

Se o mundo é um rodeio de tempos difíceis,

Eu sou a gaúcha que a doma não abala.

​II

Trouxe comigo o barro das estradas,

O sal das lágrimas que o vento secou.

Aprendi com as velhas, na beira do fogo,

Que a mulher é o esteio que o tempo forjou.

Enquanto a lança escrevia o destino,

Nossas mãos mantinham a chama acesa;

Não sou moldura de quadro antigo...

Sou o próprio quadro, a força e a beleza!

​III

Tenho a doçura do mel da florada,

Mas a grossura do couro curtido.

Meu orgulho não cabe em galpão de estância,

Pois nasce do ventre, por Deus escolhido.

Sou Anita no grito, sou terra no tato,

Sou o verso que sangra e que traz a esperança.

Se o Rio Grande é o corpo deste meu chão,

A mulher é a alma que nunca se cansa!

​IV

Pode o inverno soprar seu minuano,

Pode o destino tentar me dobrar...

Mas sou raiz de um cerne de ferro,

Que o tempo nenhum consegue quebrar.

Ergo meu brinde de erva e de garra,

Com a fibra de quem conhece o seu valor:

Sou mulher gaúcha! Sou dona de mim!

Pela graça da vida e por puro amor!


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