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segunda-feira, 31 de agosto de 2026

10 poesias

 

Café na cama

 

Na bandeja coloquei flores e junto delas todo o meu carinho.

Das rosas eu tirei os espinhos, para não te machucar.

Saí da cama bem cedo pra ficar velando teu sono, em completo abandono, assim a te admirar.

Teus cabelos assim...soltos no travesseiro, parecem pétalas douradas jogadas pelo Criador.

Tuas mãos esparramadas sobre o corpo adormecido, eu fico enlouquecido olhando este rosto trigueiro.

Tão jovem e tão bonita assim, tão plena em minha cama, quem olha até se engana, pareces uma menina.

Mas tem ares de donzela e o porte de uma dama, porém nós dois aqui nesta cama, somos amantes apenas .

A noite fica pequena pra tantas trocas de ternura e já vai me dando uma amargura , em pensar que vais embora. Por isso nem olhei as horas, o relógio eu escondi, fui passar um café pra ti, antes que desponte a aurora.

Mais um pouco eu te detenho sob os lençóis de cetim, e quando me olha assim, meu coração quase para.

Quero pegar-te em meus braços, sorver de tua candura, te cansar de tantos beijos, em mais momentos de loucuras.

 

Maria Cezar

 

Poesia inacabada

 

No começo, eram encaixes perfeitos

Cada palavra a outra se adequava

Depois os versos foram sendo desfeitos

E nada mais na poesia se alinhava.

Haviam sonhos, planos, promessas

Mas sem motivos, tudo se desalinhou

E tudo aquilo que parecia uma festa

De repente, em tortura se transformou.

Os versos, sonhos, de uma vida planejada

Seguiu um rumo que ninguém programou

Os planos desfeitos, não sobrando nada

E a poesia, nunca se completou.

Busca-se fogo nas cinzas apagadas

Remexendo feridas ,só pra ver sangrar

Tentando rimas pra frases inacabadas

De uma poesia que nunca vai terminar.

Maria Cezar

 

Café da infância

 

No coador de tecido o

café tingia o pano

Que depois de escorrido

era tomado com prazer.

Aquele aroma gostoso,ia nos despertando

Enquanto a mãe preparava , cuscuz pra gente comer.

 

O cheirinho bom de pão

trazendo muita lembrança

Fazendo voltar a infância

me aperta o coração.

Recordo de uma vida

tão boa junto a família ,

Por muitos anos vivida,

relembrar trás alegria.

Como é gostoso recordar,

daquele tempo inocente

Onde via a mãe preparar,

nosso alimento contente.

Não tinha reclamação,

ela sempre dava um jeito

E mesmo com privação,

saía tudo perfeito.

Preparava com carinho

café coado e cheiroso

Acompanhado de bolinhos

Nunca mais em minha vida,

provei algo mais gostoso.

Maria Cezar

 

Levanta Maria!

 

O dia clareou, o Sol pela janela entrou, bateu no teu rosto, dando bom dia.

Levanta Maria o dia está lindo e hoje é domingo!

 

Maria acordada, olhando pro nada, despertando pra vida, somente pensou

-o Sol está lindo e hoje é domingo, mas a guerra continua, as crianças na rua, animais com fome dependendo do homem.

 

Maria entristece, tudo isto aborrece, nada pode fazer.

Maria lamenta ,sofre, se apoquenta, não quer levantar.

Levanta Maria já clareou o dia e vai caminhar

 

Maria está cansada,desanimada,só quer se isolar

Maria se inquieta, pensa nos amigos por onde andarão?

Cada um com a sua vida, Maria querida, desacelera, não judia tanto , este coração.

 

A vida continua com crianças na rua e animais com fome, dependendo do homem.

Cuidado Maria! Tem uma porcaria, querendo te pegar

Presta muita atenção pois a tal depressão está a te rondar

Cuidado Maria ,tu não é mais guria, não vai te entregar!

 

Depois que se instala, nos leva pra vala e é difícil voltar...

E a guerra continua, as crianças na rua, não tem saída, cuida da tua vida...

Que continua, com crianças na rua, animais com fome, dependendo do homem.

 

Não sofra Maria tu não muda o mundo e sono profundo não vai te ajudar.

Eu sei Maria que já estás cansada, de ver coisas erradas sem poder mudar

 

Sossega Maria! Segue o teu destino, pois não adianta, tu te desgastar

Pois a vida continua, as crianças na rua, os animais com fome, dependendo do homem, nada vai mudar!

Pois cada um na sua e a guerra continua...

Levanta Maria! Já clareou o dia, sai desta agonia, hoje é domingo, vamos passear?

 

Maria Cezar

 

O tempo não perdoa.

 

Dizem que o tempo passa

na verdade o tempo voa,

e temos que ter cuidado, pois

o tempo não perdoa, só vai nos

dando mais peso, e isso nos abalroa

as calças não servem mais,

nenhuma roupa abotoa.

Porém brigar contra o tempo,

de nada vai adianta,

o que temos que fazer, é tentar nos adequar

Pois com o tempo meu amigo, não adianta brigar.

Nosso andar fica mais lento, nossa fala é devagar,

temos que ficar atentos para nunca tropeçar,

pois já diz a medicina , osso velho custa a colar.

Por isso dê tempo ao tempo, não precisa te afobar,

,mas podes ficar tranquilo, tua hora vai chegar

e se não quiser entender o tempo vai te ensinar.

portanto mesmo em rimas eu tentei te alertar,

pra que tu tome consciência de que deve te cuidar,

pois o tempo não perdoa e essa conta vai cobrar.

 

Maria Cezar

 

Opressão (seja doméstica ou social)

 

As marcas que a vida deixa ,

marca o corpo e marca a alma

Vai sugando as energias e aos

poucos tirando a calma.

Devemos em certos momentos,

aprender a dizer NÃO

Pois mágoas acumuladas,

rebentam o coração .

 

Nenhum ser deve viver só,

muito menos isolados

Mas não podemos permitir,

que sejamos abusados.

 

As águas da cachoeira secam,

quando matam a nascente

Como uma pessoa oprimida

que acaba ficando doente.

 

As águas dos rios são limpas ,

se correrem livremente

Se o seu leito é represado

fica cheio de poluentes.

Assim é a nossa vida fazendo

uma comparação

Quanto mais aperta a areia,

mais ela escapa da mão.

Porém muitos ainda pensam,

que o mundo não andou

Esquecendo que opressão

é de um tempo que já passou.

 

A liberdade de alguém,

jamais pode ser negada

Uma pessoa oprimida

é como uma árvore

acorrentada.

Maria Cezar

 

A melhor idade

 

Pra mim a melhor idade, tem uma definição

O que é melhor pra mim, pode não ser pra ti não

Tem os que comem caviar, outros mortadela com pão

Porém são todos amigos, que trago no coração.

Eu já cheguei numa idade, que nada mais é convenção

Gosto de fazer amizades e não faço distinção

Muita gente se intromete, querendo me dar lição

Mas quando chega certa idade, até se perde a noção.

A minha fila anda rápido e não tem enganação

Quando chegar minha hora, vou direto sem perdão

Não vou perder o meu tempo, fazendo separação

Pois Deus quando fez o mundo, chamou todos de irmãos.

Não podemos é julgar, nem fazer comparação

Temos que ter bons amigos, para termos compreensão

Quem me garante que um dia, não vou precisar de uma mão

Tem gente que tanto escolheu, que acabou na solidão.

Se há algo que recebi foi uma boa educação

Sou amiga dos amigos, não tenho predileção

Gosto de gente com G, mas aquele bem grandão

Daqueles que quando encontro, me abracem com emoção.

 

Maria Cezar

 

Tapera

 

Passando pela estrada dá pra ver restos de vida

Um pedaço de parede que teima estar em pé

E nos cacos de cimento uma tinta colorida

Num rabisco de uma santa em comprovação de fé.

 

No terreiro esquecido, o machado na madeira

Sintomas de retirada sem tempo para pensar

Queria muito saber a tua história verdadeira

Pra ver se assim eu consigo, o quebra cabeças montar.

 

Dá pra sentir a energia que ficou neste lugar

O balde ainda no poço, por alguém que não voltou

A corda ficou pendente parecendo esperar

Quem usou do seu serviço, e depois abandonou.

 

O velho poço de balde, hoje virou armadilha

Por tempos matou a sede, de homens e animais

Foi fonte de água pura que sustentou a família

Mas sem cuidado e limpeza, a água não serve mais.

 

Teu teto velha tapera, tantos amores abrigou

Quanta vida aqui nasceu, cercadas por tuas paredes

Muitos por aqui passaram e quanta vida aqui findou.

Quantos aqui se embalaram usando as tuas redes.

 

Quando passo aqui tapera, dá vontade de ficar

Tentar entender um pouco o que aqui aconteceu

Saber qual foi o motivo pra alguém te abandonar

Deixando prá trás os sonhos e tudo o que aqui viveu.

 

Maria Cezar

 

A inclusão vem de Deus

 

Quando cheguei neste mundo

Trouxe comigo uma missão

Por fora posso ser diferente

Mas por dentro sou pura emoção.

Trago muita alegria

Tenho todos como irmãos.

 

Me tratem só com respeito

Não preciso de piedade

Só quero ter o direito

De viver em sociedade.

 

Não precisam me incluir

A inclusão já veio de Deus

Pois eu vim pra evoluir

E semear amor entre os meus.

 

Não me tratem como diferente

Sem antes me conhecer

Posso até ser divergente

Muito tenho pra oferecer.

 

Sou apenas sentimento

Me ajude neste caminho

Me dedique algum momento

Eu preciso é de carinho.

 

Se me olhar bem direito

E esquecer minha expressão

Verás que o meu defeito

É só usar o coração.

 

Gosto muito de um abraço

De uma palavra de candura

Para formarmos um laço

De muito amor e ternura.

 

Se um dia me encontrar

Seja do jeito que eu for

Basta só me respeitar

Que retribuirei com amor.

 

Maria Cezar

 

Mala de sentimentos

 

Despejei na calçada da vida, a minha mala de sentimentos

Mas ela estava tão cheia, que pela rua se esparramou

Tentei segurar aqueles que se sumiam com o ventos

Porém eram tantos, que muito pouco restou.

 

Corri atrás do amor pois não queria perder

A saudade e a tristeza o próprio ar carregou

A dor e o ressentimento até tentei esconder

Mas veio a voz da razão e da minha mão tomou.

 

Sai quase engatinhando pra salvar a liberdade

Pois estava percebendo que ela ia se perder

Salvei ainda em tempo a tal da felicidade

E deixe o cair no ralo essa mania de sofrer.

 

Eram tantos sentimentos que eu precisava reciclar

A paz ,a inteligência, o carinho e a compreensão

Mas corriam em disparada querendo me abandonar

E eu igual uma criança, de joelhos na calçada buscava a resignação.

 

Quase perdi a paciência, mas consegui segurar

Salvei com toda as forças o amor ea paixão

Maldade e aborrecimentos eu resolvi dispensar

E guardei o amor pelo próximo lá dentro do coração.

 

Consegui vir pra calçada ,ainda meio machucada

Olhei pra dentro da mala para ver o que restou

Estava tudo arrumado, dava gosto de olhar minha mala organizada

Amor, paz e ternura, um punhado de doçura

lá dentro dela sobrou.


Agora com ela fechada ,levanto e sigo feliz e contente

Pensando nos sentimentos, que estavam ali dentro apenas para pesar

Hoje com a mala quase vazia, guardei só muita alegria e amor por toda gente.

Me livrei daqueles fardos, que no caminho da vida já não podia carregar.


Maria Cezar

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