Na bandeja coloquei flores e junto delas todo o meu carinho.
Das rosas eu tirei os espinhos, para não te machucar.
Saí da cama bem cedo pra ficar velando teu sono, em completo abandono, assim a te admirar.
Teus cabelos assim...soltos no travesseiro, parecem pétalas douradas jogadas pelo Criador.
Tuas mãos esparramadas sobre o corpo adormecido, eu fico enlouquecido olhando este rosto trigueiro.
Tão jovem e tão bonita assim, tão plena em minha cama, quem olha até se engana, pareces uma menina.
Mas tem ares de donzela e o porte de uma dama, porém nós dois aqui nesta cama, somos amantes apenas .
A noite fica pequena pra tantas trocas de ternura e já vai me dando uma amargura , em pensar que vais embora. Por isso nem olhei as horas, o relógio eu escondi, fui passar um café pra ti,antes que desponte a aurora.
Mais um pouco eu te detenho sob os lençóis de cetim, e quando me olha assim, meu coração quase pára.
Quero pegar-te em meus braços, sorver de tua candura, te cansar de tantos beijos, em mais momentos de loucuras.
Maria Cezar
Poesia inacabada
No começo, eram encaixes perfeitos
Cada palavra a outra se edequava
Depois os versos foram sendo desfeitos
E nada mais na poesia se alinhava.
Haviam sonhos, planos, promessas
Mas sem motivos, tudo se desalinhou
E tudo aquilo que parecia uma festa
De repente, em tortura se transformou.
Os versos, sonhos, de uma vida planejada
Seguiu um rumo que ninguém programou
Os planos desfeitos, não sobrando nada
E a poesia, nunca se completou.
Busca-se fogo nas cinzas apagadas
Remexendo feridas ,só pra ver sangrar
Tentando rimas pra frases inacabadas
De uma poesia que nunca vai terminar.
Maria Cezar
Café da infância
No coador de tecido o
cafe tingia o pano
Que depois de escorrido
era tomado com prazer.
Aquele aroma gostoso,ia nos despertando
Enquanto a mãe preparava , cuzcuz pra gente comer.
O cheirinho bom de pão
trazendo muita lembrança
Fazendo voltar a infância
me aperta o coração.
Recordo de uma vida
tão boa junto a família ,
Por muitos anos vivida,
relembrar trás alegria.
Como é gostoso recordar,
daquele tempo inocente
Onde via a mãe preparar,
nosso alimento contente.
Não tinha reclamação,
ela sempre dava um jeito
E mesmo com privação,
saía tudo perfeito.
Preparava com carinho
café coado e cheiroso
Acompanhado de bolinhos
Nunca mais em minha vida,
provei algo mais gostoso.
Maria Cezar
Levanta Maria!
O dia clareou, o Sol pela janela entrou, bateu no teu rosto, dando bom dia.
Levanta Maria o dia está lindo e hoje é domingo!
Maria acordada, olhando pro nada, despertando pra vida, somente pensou
-o Sol está lindo e hoje é domingo,mas a guerra continua,as crianças na rua, animais com fome dependendo do homem.
Maria entristece,tudo isto aborrece,nada pode fazer.
Maria lamenta ,sofre, se apoquenta, não quer levantar.
Levanta Maria já clareou o dia e vai caminhar
Maria está cansada,desanimada,só quer se isolar
Maria se inquieta, pensa nos amigos por onde andarão?
Cada um com a sua vida, Maria querida,desacelera, não judia tanto , este coração.
A vida continua com crianças na rua e animais com fome, dependendo do homem.
Cuidado Maria! Tem uma porcaria, querendo te pegar
Presta muita atenção pois a tal depressão está a te rondar
Cuidado Maria ,tu não é mais guria, não vai te entregar!
Depois que se instala, nos leva pra vala e é dificil voltar...
E a guerra continua, as crianças na rua,não tem saída, cuida da tua vida...
Que continua, com crianças na rua,animais com fome,dependendo do homem.
Não sofra Maria tu não muda o mundo e sono profundo não vai te ajudar.
Eu sei Maria que já estás cansada,de ver coisas erradas sem poder mudar
Sossega Maria! Segue o teu destino, pois não adianta, tu te desgastar
Pois a vida continua, as crianças na rua, os animais com fome, dependendo do homem, nada vai mudar!
Pois cada um na sua e a guerra continua...
Levanta Maria! Já clareou o dia, sai desta agonia, hoje é domingo,vamos passear?
Maria Cezar-POA-RS
O tempo não perdoa.
Dizem que o tempo passa
na verdade o tempo voa,
e temos que ter cuidado,pois
o tempo não perdoa, só vai nos
dando mais peso, e isso nos abalrroa
as calças não servem mais, nenhuma
roupa abotoa
Porém brigar contra o tempo, de nada vai adianta,
o que temos que fazer, é tentar nos adequar
Pois com o tempo meu amigo, não adianta brigar.
Nosso andar fica mais lento, nossa fala é devagar,
temos que ficar atentos para nunca tropeçar,
pois já diz a medicina , osso velho custa a colar.
Por isso dê tempo ao tempo, não precisa te afobar,
,mas podes ficar tranquilo, tua hora vai chegar
e se não quiser entender o tempo vai te ensinar.
portanto mesmo em rimas eu tentei te alertar,
pra que tu tome consciência de que deve te cuidar,
pois o tempo não perdoa e essa conta vai cobrar.
Maria Cezar
Opressão (seja doméstica ou social)
As marcas que a vida deixa ,
marca o corpo e marca a alma
Vai sugando as energias e aos
poucos tirando a calma.
Devemos em certos momentos,
aprender a dizer NÃO
Pois mágoas acumuladas,
arrebentam o coração .
Nenhum ser deve viver só,
muito menos isolados
Mas não podemos permitir,
que sejamos abusados.
As águas da cachoeira secam,
quando matam a nascente
Como uma pessoa oprimida
que acaba ficando doente.
As águas dos rios são limpas ,
se correrem livremente
Se o seu leito é represado
fica cheio de poluentes.
Assim é a nossa vida fazendo
uma comparação
Quanto mais aperta a areia,
mais ela escapa da mão.
Porém muitos ainda pensam,
que o mundo não andou
Esquecendo que opressão
é de um tempo que já passou.
A liberdade de alguém,
jamais pode ser negada
Uma pessoa oprimida
é como uma árvore
acorrentada.
Maria Cezar
A melhor idade
Pra mim a melhor idade, tem uma definição
O que é melhor pra mim, pode não ser pra ti não
Tem os que comem caviar,outros mortadela com pão
Porém são todos amigos, que trago no coração.
Eu já cheguei numa idade, que nada mais é convenção
Gosto de fazer amizades e não faço distinção
Muita gente se intromete, querendo me dar lição
Mas quando chega certa idade, até se perde a noção.
A minha fila anda rápido e não tem enganação
Quando chegar minha hora, vou direto sem perdão
Não vou perder o meu tempo, fazendo separação
Pois Deus quando fez o mundo, chamou todos de irmãos.
Não podemos é julgar, nem fazer comparação
Temos que ter bons amigos, para termos compreensão
Quem me garante que um dia, não vou precisar de uma mão
Tem gente que tanto escolheu, que acabou na solidão.
Se há algo que recebi foi uma boa educação
Sou amiga dos amigos, não tenho predileção
Gosto de gente com G, mas aquele bem grandão
Daqueles que quando encontro, me abracem com emoção.
Maria Cezar
Tapera
Passando pela estrada dá pra ver restos de vida
Um pedaço de parede que teima estar em pé
E nos cacos de cimento uma tinta colorida
Num rabisco de uma santa em comprovação de fé.
No terreiro esquecido, o machado na madeira
Sintomas de retirada sem tempo para pensar
Queria muito saber a tua história verdadeira
Pra ver se assim eu consigo, o quebra cabeças montar.
Dá pra sentir a energia que ficou neste lugar
O balde ainda no poço, por alguém que não voltou
A corda ficou pendente parecendo esperar
Quem usou do seu serviço, e depois abandonou.
O velho poço de balde, hoje virou armadilha
Por tempos matou a sede, de homens e animais
Foi fonte de água pura que sustentou a família
Mas sem cuidado e limpeza, a água não serve mais.
Teu teto velha tapera, tantos amores abrigou
Quanta vida aqui nasceu, cercadas por tuas paredes
Muitos por aqui passaram e quanta vida aqui findou.
Quantos aqui se embalaram usando as tuas redes.
Quando passo aqui tapera, dá vontade de ficar
Tentar entender um pouco o que aqui aconteceu
Saber qual foi o motivo pra alguém te abandonar
Deixando prá trás os sonhos e tudo o que aqui viveu.
Maria Cezar
A inclusão vem de Deus
Quando cheguei neste mundo
Trouxe comigo uma missão
Por fora posso ser diferente
Mas por dentro sou pura emoção.
Trago muita alegria
Tenho todos como irmãos.
Me tratem só com respeito
Não preciso de piedade
Só quero ter o direito
De viver em sociedade.
Não precisam me incluir
A inclusão já veio de Deus
Pois eu vim prá evoluir
E semear amor entre os meus.
Não me tratem como diferente
Sem antes me conhecer
Posso até ser divergente
Muito tenho pra oferecer.
Sou apenas sentimento
Me ajude neste caminho
Me dedique algum momento
Eu preciso é de carinho.
Se me olhar bem direito
E esquecer minha expressão
Verás que o meu defeito
É só usar o coração.
Gosto muito de um abraço
De uma palavra de candura
Para formarmos um laço
De muito amor e ternura.
Se um dia me encontrar
Seja do jeito que eu for
Basta só me respeitar
Que retribuirei com amor.
Maria Cezar
Mala de sentimentos
Despejei na calçada da vida, a minha mala de sentimentos
Mas ela estava tão cheia, que pela rua se esparramou
Tentei segurar aqueles que se sumiam com o ventos
Porém eram tantos, que muito pouco restou.
Corri atrás do amor pois não queria perder
A saudade ea tristeza o próprio ar carregou
A dor eo ressentimento até tentei esconder
Mas veio a voz da razão e da minha mão tomou.
Sai quase engatinhando pra salvar a liberdade
Pois estava percebendo que ela ia se perder
Salvei ainda em tempo a tal da felicidade
E deixe o cair no ralo essa mania de sofrer.
Eram tantos sentimentos que eu precisava reciclar
A paz ,a inteligência, o carinho e a compreensão
Mas corriam em disparada querendo me abandonar
E eu igual uma criança, de joelhos na calçada buscava a resignação.
Quase perdi a paciência,mas consegui segurar
Salvei com toda as forças o amor ea paixão
Maldade e aborrecimentos eu resolvi dispensar
E guardei o amor pelo próximo lá dentro do coração.
Consegui vir pra calçada ,ainda meio machucada
Olhei pra dentro da mala para ver o que restou
Estava tudo arrumado, dava gosto de olhar minha mala organizada
Amor,paz e ternura, um punhado de doçura
lá dentro dela sobrou.
Agora com ela fechada ,levanto e sigo feliz e contente
Pensando nos sentimentos, que estavam ali dentro apenas para pesar
Hoje com a mala quase vazia, guardei só muita alegria e amor por toda gente.
Me livrei daqueles fardos, que no caminho da vida já não podia carregar.
Maria Cezar

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