Um olhar doce, triste, sem brilho e sem calor,
Guardando em cada lágrima, os vestígios de uma dor.
Nos lábios, a voz retida, sufocada pela emoção,
Palavras que não encontram,caminho ao coração.
Nas mãos, o vazio do adeus, tão frio e tão cruel,
Como folhas desprendidas, que o vento leva ao léu.
No peito, uma ferida que dilacera sem cessar,
E deixa a alma cansada, sem forças para lutar.
Na face, o ar sofrido de quem vive a esperar,
Por um sonho que partiu, sem sequer se despedir do olhar.
No semblante apático, a sombra da solidão,
Tecendo fios de saudade, nos cantos da recordação.
Decepções acumuladas, como nuvens sobre o mar,
Tristezas silenciosas, que insistem em ficar.
Amarguras que o tempo, por vezes, não desfaz,
E transformam os caminhos, em longas estradas sem paz.
Mas até na noite escura existe uma estrela a surgir,
E mesmo entre os espinhos uma flor pode florir.
Pois a alma que hoje chora e se entrega à aflição,
Traz escondida em seu íntimo, a força da superação.
E um dia esse olhar triste,voltará a resplandecer,
Encontrando novos motivos para sonhar e viver.
Porque a dor deixa cicatrizes, mas também faz compreender,
Que depois da tempestade o Sol, sempre volta a nascer.
Maria Cezar-POA-RS

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