O Sol desperta manso no horizonte,
beijando o rosto de quem cedo acorda.
Ela é o frescor que brota na fonte,
é a paz que em cada gesto transborda.
Leva a vida em passos de calmaria,
longe do asfalto, do ruído, da pressa.
Sua riqueza é a luz de um novo dia,
e a liberdade é tudo o que interessa.
Na horta, o verde é joia lapidada,
fruto colhido no pé, ainda com o orvalho.
Mesa farta, de alma alimentada,
pelo suor sagrado do próprio trabalho.
É o sabor do campo,
puro e verdadeiro,
que nutre o corpo e cura qualquer cansaço,
trazendo o perfume do pomar inteiro
para dentro de casa, em cada pedaço.
Com os filhos, a voz é um acalanto,
ensina o respeito, a fé e o perdão.
Cria a prole sob o céu de seu manto,
com a firmeza e a doçura da mão.
E quando o entardecer pinta o cenário,
e o marido retorna da lida pesada,
ela é o porto, o fim do itinerário,
o abraço quente na estrada poeirenta.
O aconchego pronto, o café no fogo, um olhar que entende a dureza do dia.
Transforma o cansaço em um novo jogo,
fazendo do lar sua maior poesia.
Viver no campo é ter o coração em festa,
é ser raiz, ser fruto e ser semente.
É entender que, no pouco que resta,
se encontra a paz de quem vive plenamente.
Maria Cezar-POA-RS

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