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sexta-feira, 28 de agosto de 2026

A tapera


​A porteira, já caída, não segura mais o gado

O cupim devora o cerne do que um dia foi pilar

O jardim está entregue ao mato alto e fechado

Onde o brilho de uma rosa não consegue mais brotar.


​Pela fresta da janela, entra o vento em lamento

Levantando a poeira de um chão que já foi lar

Parece que cada tábua guarda um breve sentimento

De uma gente que partiu sem ter tempo de explicar.


​No fogão de lenha frio, a cinza virou saudade

Não se sente mais o cheiro do café a passar

A tapera é o retrato da nossa própria brevidade

Do que a mão do homem ergue e o tempo faz desabar.


​O silêncio é o inquilino que agora ali reside

Pois o riso da criança faz tempo que emudeceu

Mas a alma da tapera... essa nunca se esqueceu.


Maria Cezar-POA-RS 


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