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sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Quintal dos sonhos

 


​No chão de terra, o império se erguia,

Entre gravetos e pedras de amolar,

O menino, em sua farda de fantasia,

Fazia o mundo inteiro, em um palmo de lugar.


Construía pontes sobre rios de poeira,

Onde soldados de chumbo, guardavam o dever,

Mas no fundo, daquela guerra passageira,

Havia apenas a urgência de viver.


​Do outro lado do muro, em silêncio e luz,

A menina tecia o amanhã com as mãos,

Sua boneca era o afeto que a conduz,

Ao sonho de um lar, de quintais e irmãos.


Ela era a leveza que o soldado admirava,

O repouso doce após a imaginária batalha,

Enquanto o tempo, em seu relógio, tramava

Roupar-nos com a vida, que nunca falha.


​A Nostalgia e o Peso do Chão

​Ah, que doce o gosto dessa lembrança,

Quando a cor era apenas o lápis no papel,

E a única pressa era a da esperança,

De ver o sol pintando o azul do céu.


Mas o tempo cresce e o olhar se envenena,

O mundo impõe muros que a criança não viu,

A pureza se torna uma frase pequena,

Diante do ódio que o peito feriu.


​Vieram os pesos, as grades, os "nãos",

O preconceito que marca o rosto e a cor,

A idade que julga os sonhos vãos,

E tenta apagar, da memória o valor.


Esquecem que o sangue, na luta ou no abraço,

Não escolhe matiz para o coração pulsar,

E que o soldado e a menina, no mesmo espaço,

Só queriam um mundo, onde pudessem amar


Maria Cezar POA-RS 


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