A medida da amizade
Há quem atravesse a vida acreditando que a amizade é um vínculo sagrado. Pessoas que oferecem um sorriso antes mesmo de receber um olhar. Que jamais esquecem o “bom dia”, que estendem a mão sem questionar o motivo, que compartilham o pouco que possuem sem esperar reconhecimento. Pessoas que tratam o outro como irmão, porque não aprenderam a amar pela metade.
No entanto, por vezes, a vida impõe lições dolorosas.
Descobre-se que muitos aceitam o afeto, mas poucos o retribuem. Recebem a presença, mas se ausentam quando chega o momento de permanecer. Enquanto os dias são claros, há abraços, risos e promessas. Porém, quando o céu escurece e a dor se apresenta, o silêncio ocupa o lugar das palavras.
É na enfermidade, na lágrima contida, na madrugada de angústia, que a amizade revela sua essência. Não é a quantidade de pessoas ao redor que conforta, mas a presença de quem escolhe ficar. De quem telefona apenas para saber como você está. De quem sustenta sua mão quando as forças se esgotam. De quem transforma o “conte comigo” em ação concreta.
Talvez a amizade perfeita não exista. Talvez ela habite apenas em raros corações, daqueles que compreendem que amar um amigo é permanecer, mesmo quando a vida perde suas cores.
As decepções ferem, sobretudo aqueles que possuem uma alma generosa. Ainda assim, também revelam uma verdade valiosa: nem todos são dignos do lugar que ocupam em nosso coração.
Ao final, a dor não apenas expõe quem partiu. Ela também ilumina, como uma tênue chama na escuridão, aqueles poucos que permaneceram ao nosso lado. E esses, sim, não são apenas amigos. São família escolhida pela alma, companheiros de jornada, presentes que o tempo não é capaz de apagar.
Porque a verdadeira amizade não se mede pelas palavras ditas em momentos de celebração, mas pela presença silenciosa de quem permanece quando todos os outros já se foram.
Maria Cezar-POA-RS

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