A gente vai aceitando...
Explicações descabidas,
intenções dissimuladas,
enganações nojentas,
mentiras travestidas de verdades.
E a gente vai aceitando...
Mentiras enfeitadas de verdades, pessoas que brincam com coisas sérias, gente sem caráter, sem respeito.
E a gente vai aceitando...
Vai ouvindo mentiras tantas vezes que elas acabam parecendo verdades.
E a gente vai aceitando...
Conceitos sociais ridículos, pessoas covardes e sem noção.
E a gente vai aceitando...
Algozes cruéis disfarçados de amigos, de amores... Pessoas pequenas, cheias de empáfia, que acreditam saber tudo.
E a gente vai aceitando...
Direitos oprimidos, vontades abafadas, valores esquecidos.
E a gente vai aceitando...
Ser chamado de louco quando se busca um direito.
Ser chamado de burro quando não se concorda. De irritado, quando se tenta apenas se defender.
E a gente vai aceitando...
Conviver com egoístas, com dissimulados, com pequenos disfarces que escondem grandes verdades.
E a gente vai aceitando...
Não sair por causa da violência.
Ficar em casa e, às vezes, ser violentado... nos direitos, nas razões, nas opiniões.
E a gente vai aceitando...
Engolir sapos, fechar a boca, não se manifestar.
Perder o direito de falar.
Ser compreensivo com tudo, com todos, o tempo todo.
E a gente vai aceitando...
E vai sendo enganado, ludibriado por falsas promessas de falsas pessoas.
E a gente vai aceitando...
Até que, um dia, se dá conta:
já não é mais a mesma pessoa.
Está deturpado. Sufocado. Calado.
Mas a gente vai aceitando...
Vai aceitando tanto, que um dia já nem sabe mais se aquilo que aceita é realmente o que deseja.
E, quando percebe, talvez já tenha aceitado perder a si mesmo.
E a gente vai aceitando...
Pessoas que brincam com coisas sérias,
gente sem caráter, sem respeito, sem qualquer constrangimento.
E a gente vai aceitando...
Vai ouvindo tantas mentiras
que, de tanto serem repetidas,
acabam parecendo verdades.
Maria Cezar-POA-RS
E a gente vai aceitando...
Conceitos sociais ridículos,
pessoas covardes,
gente sem noção,
sem coragem para ser
o que realmente é.
E a gente vai aceitando...
Algozes cruéis
disfarçados de amigos,
de amores,
de pessoas que dizem cuidar.
E a gente vai aceitando...
Pessoas pequenas,
vestidas de empáfia,
que acreditam saber tudo
e nada sabem sobre o outro.
E a gente vai aceitando...
Direitos oprimidos,
vontades abafadas,
valores esquecidos,
verdades silenciadas.
E a gente vai aceitando...
Ser chamado de louco
quando se busca um direito.
Ser chamado de burro
quando se discorda.
De irritado,
quando se reage.
De difícil,
quando se impõe.
E a gente vai aceitando...
Conviver com egoístas,
com dissimulados,
com falsos amigos,
com falsos amores,
com pequenos disfarces
que escondem grandes crueldades.
E a gente vai aceitando...
Não sair por causa da violência.
Ficar em casa
e, às vezes,
ser violentado mesmo assim...
Nos direitos.
Nas razões.
Nas opiniões.
Na dignidade.
E a gente vai aceitando...
Engolir sapos.
Fechar a boca.
Não se manifestar.
Perder o direito de falar
para não desagradar.
Ser compreensivo com tudo.
Com todos.
O tempo todo.
E a gente vai aceitando...
E vai sendo enganado,
ludibriado,
conduzido por falsas promessas
de falsas pessoas.
E a gente vai aceitando...
Aceitando tanto,
que já nem percebe
quando começa a perder
a própria voz.
E a gente vai aceitando...
Até que, um dia,
a gente se olha
e já não se reconhece.
Já não é mais a mesma pessoa.
Está deturpada.
Sufocada.
Cansada.
Silenciada.
Mas a gente vai aceitando...
Vai aceitando a mentira,
a injustiça,
a covardia,
a violência,
o desrespeito.
Vai aceitando
para evitar conflitos.
Vai aceitando
para não perder pessoas.
Vai aceitando
para não parecer louco,
difícil,
irritado
ou exagerado.
E a gente vai aceitando...
Até que chega um momento
em que aceitar
passa a significar
perder a si mesmo.
E, então,
talvez seja preciso parar.
Parar de aceitar.
Porque chega um dia
em que a voz precisa voltar.
A dignidade precisa voltar.
A coragem precisa voltar.
E a gente precisa lembrar
que nem tudo deve ser aceito.
Porque, quando a gente aceita tudo,
pode acabar aceitando
também aquilo que
nunca deveria ter permitido.
E a gente vai aceitando...
Até o dia em que,
finalmente,
a gente diz:
Basta!
Maria Cezar-POA-RS

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