Não é o acaso que dedilha
a harpa do destino,
Nem o vento que sopra a semente ao léu.
Onde pousamos o pé, no chão ou no desatino,
É eco de um passo, que já se deu sob outro céu.
Morrer é apenas fechar uma porta cansada,
Para abri-la de novo, com a mão de uma criança.
O espírito volta, na mesma estrada traçada,
Pelo fio invisível que une a saudade e a esperança.
Não viemos a este lar por erro de direção.
Há dívidas de afeto, pedras no caminho,
E abraços que esperam séculos pela redenção
E termos a benção, de retornar ao ninho.
Escolhemos o sangue que nos corre nas veias,
O pai que nos olha, a mãe que nos sente;
Pois o nó que nos prende às vidas alheias.
É o único laço que nos liberta, finalmente.
As coincidências são apenas lembranças sussurradas,
Encontros marcados em cafés de eras atrás.
Duas almas que se cruzam em esquinas geladas,
Reconhecendo o brilho de quem já não se esquece mais.
Viemos para ser o que ainda não fomos,
Para polir o diamante bruto do "eu".
Não somos a carne, nem os nomes que fomos:
Somos o eterno retorno de quem nunca se perdeu.
Maria Cezar-POA-RS

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