Quando almas se encontram, os anjos recitam versos, e não fica um só disperso na arte de se fazer apaixonar.
Dá vontade de rir, chorar,
numa doce confusão,
buscando um ponto de união, um consenso pra depois, não lamentar entre os dois, o que ditou o coração.
Com suas flechas ligeiras,
trazem o arco engatilhado,
que há muito estava guardado bem no fundo da algibeira.
Num gesto, de tal maneira,
lançam o tiro certeiro,
atingindo por inteiro
o centro do coração,
sem deixar outra opção
senão, um suspiro derradeiro.
Depois de cumprida a missão, os anjos vão para longe, pois não há fuga que esconda o que revela a paixão.
Se o amor toma a direção,
não adianta resistir:
quando o cupido faz ferir,
com sua flecha certeira,
não há razão verdadeira
que faça o amor desistir.
E o amor entre os dois,
flechados pelo cupido,
era forte e decidido,
não podia ficar depois.
Não havia espaço entre os dois, para medo ou indecisão: quando se encontram duas almas
e se reconhecem no olhar,
não há tempo para esperar,
o amor pede o coração.
Maria Cezar-POA-RS

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