No quintal de espinhos rudes e muros de pedra,
Surge um milagre branco, que a vista desanda
A ora-pronóbis, em sua modéstia que medra,
É joia escondida que na horta comanda.
Tão linda e fugaz, de um branco puríssimo,
Ela é delicada, mas carrega o sustento
Um brilho discreto, de valor raríssimo,
Que floresce sem medo,mantendo o silêncio.
Já a rosa é o espelho da alma mulher,
Em camadas de veludo, mistério e paixão
É preciso coragem para quem a quer,
Pois a beleza exige o respeito da mão.
Como a mulher que floresce sempre em mil cores,
A rosa é rainha, tem brilho, tem brio
Suporta o inverno, afasta as dores,
E transborda perfume no meio do estio.
Ambas são fortes, embora pareçam frágeis,
Guardam nos traços a força da vida
São versos vivos, de movimentos ágeis,
Em cada espinho, uma lição aprendida.
Maria Cezar-POA-RS

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