No quintal da infância,
onde o tempo era lento,
Cresci entre o prumo e o puro sentimento.
Até os oito anos, meu mundo era muito bonito,
Traçado por mãos, de um passado bendito.
Minha avó Marvina, de fibra e de corte,
Mulher que domava o destino e a sorte.
De "faca na bota", não conhecia o medo,
Pra fazer justiça, não tinha brinquedo.
Não levava desaforo, nem curva, nem resto,
Seu olhar era lei, seu silêncio era um gesto.
Forte como aroeira que o vento não dobra,
Mandava na casa, na vida e na sobra.
Ao lado o avô, de nome Reduzino
Seguindo o compasso do mesmo destino.
Homem de paz, de alma contida,
Submisso às ordens da dona da vida.
Se Marvina dizia, o mundo acatava,
E ele, em seu canto, sempre sem calava
Aprendi o respeito na voz da Marvina,
E a doçura na sombra que o avô descortina.
Aqueles oito anos, não retoram mais,
Ficaram nos campos, nos velhos quintais.
Dói saber que a estrada só segue pra frente,
E em quem se tornou a criança inocente.
Resta a dor da saudade nas lembranças doloridas
E a falta que fazem na lida da vida.
Maria Cezar-POA-RS

Nenhum comentário:
Postar um comentário