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sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Retrato que o tempo levou

 No quintal da infância, 

onde o tempo era lento,

Cresci entre o prumo e o puro sentimento.


Até os oito anos, meu mundo era muito bonito,

Traçado por mãos, de um passado bendito.


​Minha avó Marvina, de fibra e de corte,

Mulher que domava o destino e a sorte.


De "faca na bota", não conhecia o medo,

Pra fazer justiça, não tinha brinquedo.


Não levava desaforo, nem curva, nem resto,

Seu olhar era lei, seu silêncio era um gesto.


Forte como aroeira que o vento não dobra,

Mandava na casa, na vida e na sobra.


​Ao lado o avô, de nome Reduzino 

Seguindo o compasso do mesmo destino.


Homem de paz, de alma contida,

Submisso às ordens da dona da vida.


Se Marvina dizia, o mundo acatava,

E ele, em seu canto, sempre sem calava


Aprendi o respeito na voz da Marvina,

E a doçura na sombra que o avô descortina.


Aqueles oito anos, não retoram mais,

Ficaram nos campos, nos velhos quintais.


​Dói saber que a estrada só segue pra frente,

E em quem se tornou a criança  inocente.


Resta a dor da saudade nas lembranças doloridas

E a falta que fazem na lida da vida.


Maria Cezar-POA-RS 

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