O relógio avança, e a noite cai mansa,
Mas na minha mente a sua voz dança.
Não há calmaria, não há desalento,
Você habita o meu pensamento.
É um amor bonito, que não dá sossego,
Que mexe com o peito, que tira o aconchego.
Fecho os olhos e sinto o teu toque de longe,
Num mistério que a própria distância esconde.
Olho pro teto, a cama vazia,
E imagino o dia de nossa agonia ter fim.
Em plena luz do dia, me pego a vagar,
Com o corpo aqui e a alma no teu olhar.
É um sobressalto, um palpitar constante,
Esse querer te ter, mesmo tão distante.
Um fone de ouvido, uma tela a brilhar,
E o peito apertado de tanto esperar.
Não durmo direito, pois fico a criar
Os mil roteiros de quando eu te encontrar.
É febre, é insônia, é pressa, é desejo,
É o gosto guardado de um próximo beijo.
Esse amor de longe, que queima e consome,
Que escreve no vento o som do teu nome,
Me faz acordada o tempo inteiro sonhar:
Pois a maior distância só me faz te amar.
Maria Cezar POA-RS
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