O chão ainda guarda o desenho dos nossos passos,daquela pressa de quem não tinha onde chegar.
Éramos feitos de risos frouxos e abraços,
E do medo sutil de o mundo, enfim, nos separar.
O primeiro amor tinha cheiro de chuva e de espera,
Um bilhete dobrado, um olhar que queimava o chão.
Acreditávamos que a vida era apenas aquela primavera, e que o "para sempre",cabia na palma da mão.
Depois, os caminhos viraram encruzilhadas,
E a amizade sincera, aquela de dividir o pão,
Virou eco de vozes em madrugadas isoladas,
E fotos antigas guardadas na memória do coração.
Cada amigo levou um pedaço do que fomos
Um levou a piada que só nós entendíamos
Outro, os planos dos pomares e dos gomos
Todos levaram a coragem que juntos sentíamos.
Agora, o futuro é esse mar que ninguém mapeou
Cada um num barco, remando contra a maré.
O destino é um rascunho que o vento bagunçou,
E o que nos resta é o que a saudade mantém de pé.
Olhamos para trás com o brilho de quem viveu,
Pois mesmo que o tempo insista em nos dispersar,
Ninguém apaga o fogo do que o peito conheceu,
Nem o gosto doce de ter tido alguém para amar.
A juventude não é um tempo que passa, é um lugar onde a gente sempre volta, quando fecha os olhos e começa a relembrar.
Maria Cezar-POA-RS

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