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sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Dois mundos

 Dois mundos traçados em linhas distintas,

No mapa da vida, fronteira fatal.

Um lado de sedas e cores retintas,

O outro, o suor do chão matinal.

​O amor não pediu o brasão ou a conta,

Nasceu no silêncio de um olhar de igual.

Mas a voz do mundo, que o dedo nos aponta,

Sentenciou o afeto como um erro crucial.

​Ergueram barreiras de ferro e costume,

Disseram que o ouro não beija o carvão.

E o peito, que outrora era puro perfume,

Tornou-se o deserto da própria negação.

​Ficou o vazio, essa fresta no peito,

Um eco de passos que o tempo não traz.

O quarto é silêncio, o mundo é estreito,

E a alma padece de falta de paz.

​Se aqui a linhagem dita o destino,

E o nome no papel nos faz separar,

Eu guardo o segredo de um elo divino

Que o peso da terra não pode quebrar.

​Pois onde termina o orgulho dos homens,

E a classe se apaga sob a luz do luar,

Não haverá muros que nos desgovernem,

Nem normas severas para nos julgar.

​Se não for agora, entre as ruas de pedra,

Será no infinito, onde o espírito é rei.

Onde a flor da alma finalmente medra,

E eu, no teu abraço, enfim pousarei.

Maria Cezar-POA-RS 

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