Velho Casarão
Por trás das paredes gastas,
que o tempo soube vencer,
moram lembranças antigas
que jamais irão morrer.
Cada canto guarda histórias
que o silêncio faz brotar;
quem contempla tua ruína
ouve o passado falar.
Velho e nobre casarão,
companheiro de gerações,
foste abrigo e esperança,
berço de muitas emoções.
Mas o descaso dos homens,
sem respeito e sem razão,
apagou tua grandeza,
ferindo teu coração.
Tua fachada imponente
o tempo foi consumindo;
cada fenda em tuas paredes
parece estar sempre ouvindo
os ecos de antigas festas,
de risos e oração,
que ainda vivem escondidos
nas sombras do casarão.
Ali nasceram crianças,
cresceram sonhos de amor;
houve bailes, casamentos,
dias de luta e labor.
Em teus salões ecoaram
alegrias e canções;
também serviste de palco
às mais difíceis decisões.
Hoje repousas sozinho,
à beira do velho caminho;
quem passa baixa os olhos,
num gesto de grande carinho.
Pois toda pedra que resta,
toda madeira a ranger,
conta um pedaço da vida
que o tempo não pôde vencer.
Que surja alguém, algum dia,
para tua voz escutar;
quem preserva a própria história
faz seu povo prosperar.
Porque um velho casarão,
mesmo vencido na idade,
continua sendo um templo
da memória e da saudade.
Maria Cezar – Porto Alegre/RS
Velho Casarão
Por trás das paredes velhas,
que o tempo foi consumindo,
repousam vivas lembranças
que a memória vai florindo.
Quanto mais os anos passam,
mais admiro tua história,
teu silêncio ainda conserva
os capítulos da glória.
Hoje, velho casarão,
jazes quase abandonado.
Foste abrigo de famílias,
por muitas mãos habitado.
Mas herdaste o triste descaso
de quem não soube entender
que preservar teu passado
é fazer a vida viver.
Tua imponente fachada
o tempo insiste em ferir;
cada rachadura parece
baixinho se despedir.
Quando passo pela estrada,
teu vulto chama atenção;
és sentinela esquecida
guardando o próprio chão.
Viste crianças crescendo,
ouviste cantos e risos;
em teus amplos salões houve festas,
encontros e muitos sorrisos.
Também foste testemunha
de promessas e decisões;
hoje o silêncio te abraça
entre sombras e estações.
Mesmo ferido pelo tempo,
teu valor não se desfaz;
quem conhece tua história
leva contigo a paz.
Pois um casarão antigo
é mais que pedra e madeira:
é um livro aberto da vida,
é a alma de uma fronteira.
Maria Cezar POA-RS

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